Espera-se que o BC eleve as taxas de juros na reunião do Copom e continue o ciclo de alta
- O Banco Central deve aumentar a taxa Selic para 14,25% ao ano, apesar de sinais de desaceleração econômica, devido à persistente inflação.
- Medidas do governo Lula, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, geram preocupações sobre o compromisso fiscal e podem pressionar a inflação.
- Expectativas de novos aumentos na Selic e desafios fiscais persistem, com projeções de juros elevados e crescimento limitado do PIB.
O Banco Central do Brasil inicia a segunda reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) em meio a um cenário de incerteza fiscal, na mesma data em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar ao Congresso a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Analistas preveem que o Copom manterá a linha adotada nas reuniões anteriores, aumentando a Selic em 100 pontos-base, totalizando um percentual de 14,25% ao ano. Este patamar representa o maior nível desde 2016, apesar dos indicativos de desaceleração econômica, com o PIB do quarto trimestre de 2024 crescendo apenas 0,2%.
A aceleração do IPCA para 1,31% em fevereiro, impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos, reforça as preocupações com a inflação, que já ultrapassa 5% ao ano. A expectativa é que o Banco Central tenha que justificar ao Conselho Monetário Nacional caso a inflação se mantenha acima de 4,50% por seis meses consecutivos em 2025. Economistas, como Alexandre Maluf da XP Investimentos, alertam que as medidas de estímulo econômico do governo podem exacerbar riscos inflacionários e cambiais, com o dólar potencialmente alcançando R$ 6. A XP prevê que a Selic pode chegar a 15,50% ao final do ano.
Medidas como a isenção do Imposto de Renda e o programa de crédito consignado para trabalhadores do setor privado são vistas como potencialmente inflacionárias, aumentando a desconfiança em relação à disciplina fiscal do governo. O economista-chefe da MB Associados destaca que o cenário de desaceleração econômica, impulsionado por um agronegócio robusto, não é suficiente para o BC alterar sua trajetória de juros. Além disso, a dívida pública deve continuar crescendo, elevando a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas para evitar riscos à independência do Banco Central. Apesar de uma safra agrícola promissora, as projeções indicam um encolhimento do PIB no primeiro trimestre devido ao aperto monetário acumulado.
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