Por Rocky Swift
TÓQUIO, 31 Mar (Reuters) - Os investimentos maciços em inteligência artificial que sustentaram altas recordes das ações enfrentam um grande obstáculo, já que a crise no Oriente Médio obscurece as perspectivas de crescimento e os custos de energia, disse Melissa Otto, chefe de pesquisa da S&P Global Visible Alpha.
Antes do início da guerra no Irã, as gigantes de tecnologia Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejavam gastar cerca de US$635 bilhões em data centers, chips e outras infraestruturas de IA em 2026, segundo a S&P Global.
Esse valor representa um aumento em relação aos US$383 bilhões do ano anterior e aos meros US$80 bilhões de 2019.
Embora as empresas de tecnologia ainda não tenham sinalizado cortes nesses investimentos de capital, os preços persistentemente altos do petróleo podem forçar revisões de gastos no primeiro e segundo trimestres, trazendo uma "correção realmente significativa em todos os mercados de ações", disse Melissa Otto.
"Acho que se os valores de investimento forem reduzidos, se de fato os preços da energia não forem refletidos nos lucros, isso poderá ser um catalisador", acrescentou ela em entrevista em Tóquio na segunda-feira.
A euforia em relação à IA levou os índices de ações globais para além das máximas de 2025, com grandes esperanças de que a tendência continuasse, mas perdeu força desde o conflito.
Ao mesmo tempo, os custos de energia estão se tornando uma restrição.
Os data centers exigem grandes quantidades de eletricidade, tornando a IA dependente dos preços da energia e da capacidade da infraestrutura.
Na conferência de energia CERAWeek, realizada em Houston na semana passada, executivos do setor de petróleo alertaram que os riscos de fornecimento não estão totalmente refletidos nos preços, disse Melissa Otto, levantando preocupações sobre novos aumentos com efeitos em cascata para a economia global.
"Estamos vendo essa grande questão em torno do crescimento global", acrescentou. "Porque se os preços da energia aumentarem 30%, isso prejudicará os consumidores e as empresas."
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