30 Mar (Reuters) - O Morgan Stanley rebaixou a recomendação para ações globais e elevou a recomendação para dinheiro e títulos do governo dos EUA, à medida que os investidores evitam o risco em favor de ativos de refúgio seguro devido à crescente incerteza decorrente da guerra no Oriente Médio.
A corretora de Wall Street reduziu sua recomendação para ações globais de "sobreponderar" para "peso igual", enquanto elevou a recomendação para títulos do Tesouro dos EUA e dinheiro de "peso igual" para "sobreponderar".
"A incerteza em relação à magnitude e à duração da interrupção no fornecimento de petróleo significa que os resultados para os ativos de risco se tornaram cada vez mais assimétricos", disseram estrategistas do Morgan Stanley em nota divulgada na sexta-feira.
O preço do petróleo Brent subiu 59% neste mês, o maior salto mensal já registrado, superando os ganhos observados durante a Guerra do Golfo de 1990. Os contratos futuros ultrapassaram os US$ 116 por barril na segunda-feira.
A corretora alertou que, se os preços do petróleo se mantiverem em torno de US$ 150 a US$ 180 por barril, as avaliações das ações globais poderão cair quase 25%.
A empresa reduziu sua exposição geral a ações através de um rebaixamento da recomendação para ações norte-americanas e japonesas de "sobreponderar" para "peso igual".
"Nós passamos para peso igual em ações japonesas, dados os riscos extremos negativos, pois esperamos que o setor sofra pressão nas cadeias de suprimentos e impactos recessivos globais em um cenário em que o Estreito (de Ormuz) permaneça fechado por mais tempo", disseram os estrategistas.
Ainda assim, o Morgan Stanley manteve uma preferência por ações norte-americanas em comparação com outras regiões, dado o maior crescimento do lucro por ação.
Os ativos dos EUA estão ressurgindo como um porto seguro?
Essa mudança contrasta fortemente com a maior parte do ano passado, quando os investidores evitaram ativos norte-americanos devido às incertezas relacionadas às tarifas e direcionaram seus recursos para ativos europeus, japoneses e de mercados emergentes.
Os fluxos de capital para ações e títulos dos EUA superaram os do resto do mundo desde que o conflito no Oriente Médio começou no mês passado, com os investidores "voltando a olhar para os ativos norte-americanos como um mercado mais defensivo novamente", disse o Morgan Stanley.
Em um cenário de choque na oferta de petróleo, os títulos do Tesouro dos EUA oferecem melhor diversificação, já que o país é menos dependente da importação de energia do que a Europa, acrescentaram os estrategistas.