Por Kamal Choudhury
25 Mar (Reuters) - As ações da Corcept Therapeutics CORT.O subiram mais de 23% na quarta-feira, atingindo a maior cotação em quase dois meses, após a agência reguladora de saúde dos EUA aprovar o principal medicamento da empresa para o tratamento de uma forma agressiva de câncer de ovário que não responde mais ao tratamento padrão.
A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou o relacorilant, nome comercial Lifyorli, para uso em combinação com o medicamento quimioterápico nab-paclitaxel.
A terapia é aprovada para adultos com câncer epitelial de ovário resistente à platina, um tipo de câncer que retorna ou progride em cerca de seis meses após o início da quimioterapia à base de platina.
A Corcept afirmou que espera disponibilizar o Lifyorli aos pacientes dentro de uma semana, com um preço de tabela de US$ 37.900 para um ciclo de 28 dias, que inclui nove doses de tratamento.
O Lifyorli atua bloqueando os sinais de estresse relacionados ao cortisol no corpo, um mecanismo que pode tornar as células cancerígenas mais responsivas à quimioterapia.
A aprovação regulatória foi baseada em um estudo de fase final envolvendo 381 pacientes. Os dados mostraram que aqueles tratados com a combinação viveram uma mediana de 16 meses, em comparação com 11,9 meses para pacientes que receberam apenas quimioterapia.
A FDA recomendou que os pacientes tomem 150 mg do medicamento no dia anterior, no dia da infusão e no dia seguinte a cada infusão de nab-paclitaxel.
O tratamento apresenta alertas sobre a possibilidade de baixa contagem de glóbulos brancos, infecções graves, insuficiência adrenal e danos potenciais a bebês em gestação, e não deve ser usado em pacientes que dependem de medicamentos esteroides para sobreviver.
O analista da UBS, Ashwani Verma, considerou a aprovação, que ocorreu três meses antes do previsto, como positiva, mas afirmou que uma contraindicação para pacientes em uso de medicamentos esteroides poderia ser um obstáculo e estimou que as vendas máximas seriam de cerca de US$ 550 milhões.
Em dezembro, a FDA recusou-se a aprovar o relacorilant para hipertensão associada à síndrome de Cushing, alegando que o medicamento não apresentou resultados superiores ao placebo e levantou preocupações sobre possíveis lesões hepáticas — um revés que fez com que as ações da empresa despencassem cerca de 50%.