Por Manya Saini e Utkarsh Shetti
24 Mar (Reuters) - A Victory Capital VCTR.O anunciou na terça-feira que retirou sua proposta de aproximadamente US$ 8,6 bilhões para comprar a Janus Henderson JHG.N, encerrando uma longa disputa de lances horas depois de a Trian Fund Management, de Nelson Peltz, e a General Catalyst aumentarem sua oferta pela gestora de ativos.
A disputa pela aquisição da Janus se intensificou nas últimas semanas, com a Victory pressionando por sua proposta, que descreveu como superior, mesmo com a empresa de US$ 493 bilhões sinalizando sua preferência pela oferta concorrente.
Ainda na terça-feira, a Trian e a General Catalyst aumentaram sua oferta pela Janus para US$ 52 por ação, avaliando a gestora de ativos em cerca de US$ 8 bilhões. A proposta representou um prêmio de aproximadamente 25% em relação ao preço das ações da Janus antes da volatilidade e foi US$ 3 por ação superior à oferta anterior.
A Janus se recusou a comentar sobre a desistência da Victory Capital. Suas ações, que fecharam a US$ 52,10 na terça-feira, caíram para US$ 51,39 no pregão estendido.
"Como a Victory Capital tem afirmado consistentemente, só estava preparada para prosseguir com uma transação negociada e consensual que tivesse o apoio total do comitê especial da Janus Henderson", disse em comunicado.
A tensão aumenta entre os pretendentes.
A Janus afirmou ainda na terça-feira que o acordo com a Trian e a General Catalyst era a única proposta que seu comitê especial considerou viável.
A gestora de ativos afirmou que o comitê e os consultores realizaram seis reuniões com a Victory desde que a empresa apresentou sua primeira proposta em 26 de fevereiro. "Após seis discussões distintas, não há como fugir da realidade: a proposta da Victory não é e nunca será viável", declarou.
A Janus afirmou que clientes importantes e parceiros de distribuição, incluindo unidades de gestão de patrimônio em três dos maiores bancos do mundo, informaram ao seu comitê especial que teriam reservas significativas em manter os laços caso a empresa feche um acordo com a Victory.
Os clientes bancários, que representam 52% da receita anualizada e 55% dos ativos sob gestão, precisariam dar seu consentimento para que qualquer acordo fosse concluído.
Na semana passada, a Trian, maior acionista da Janus com uma participação de 20,7%, manifestou preocupação com a última oferta da Victory.
Dias depois, a Victory respondeu, afirmando que a Trian estava "fazendo esforços para inundar o mercado com desinformação".
ACOMPANHAMENTO DOS LANCES
A disputa acirrada pela gestão de ativos evidencia o ritmo de consolidação no setor, impulsionado pela pressão sobre as taxas e pela ascensão do investimento passivo de baixo custo, o que leva as empresas a expandirem suas operações por meio de aquisições para se manterem competitivas.
Na semana passada, a Victory revisou sua oferta para incluir um componente em dinheiro maior. Sua oferta mais recente era de US$ 40 em dinheiro e 0,25 de suas ações para cada ação da Janus, em comparação com uma proposta anterior de US$ 30 em dinheiro e 0,35 de suas ações.
Em dezembro, a Janus concordou com uma aquisição em dinheiro de US$ 7,4 bilhões pela Trian e pela General Catalyst, encerrando uma campanha ativista de mais de cinco anos realizada pelo fundo de hedge do bilionário.
A transação com a Trian e a General Catalyst continua dentro do cronograma para ser concluída até meados de 2026, afirmou a Janus, acrescentando que sua assembleia anual de acionistas está agendada para 16 de abril, onde recomendou que os acionistas aprovem o acordo.
"A Trian e a General Catalyst já fizeram progressos significativos rumo à conclusão do negócio e têm um caminho claro para satisfazer todas as condições pendentes", disse a Janus.
O Goldman Sachs está atuando como consultor financeiro do comitê especial da Janus.