Por Neil J Kanatt e Deborah Mary Sophia
23 Mar (Reuters) - A Estée Lauder está em negociações sobre uma possível fusão com o grupo espanhol de cosméticos Puig, disseram as empresas na segunda-feira, em um acordo que reuniria algumas das maiores marcas de beleza e fragrâncias do mundo, como Tom Ford, Carolina Herrera, Rabanne e Clinique, sob o mesmo teto.
O acordo criaria um grupo de beleza de luxo avaliado em US$ 40 bilhões e daria às empresas uma posição estratégica na indústria global de fragrâncias, que enfrenta uma desaceleração na demanda após vários anos de forte crescimento pós-pandemia.
As negociações entre a Estée EL.N e a Puig PUIGb.MC, sediada em Barcelona, acontecem poucos meses depois de a Kering PRTP.PA, proprietária da Gucci, ter concordado (link) em vender seu negócio de beleza para a L'Oreal OREP.PA por US$ 4,7 bilhões.
Esse acordo deu à L'Oréal o controle da linha de fragrâncias Creed da Kering — conhecida por seus perfumes Aventus, que chegam a custar US$ 500 o frasco — bem como direitos exclusivos de longo prazo para desenvolver produtos sob as marcas de moda da Kering, como Bottega Veneta e Balenciaga, impulsionando ainda mais o portfólio de perfumes de sucesso da L'Oréal, que inclui as marcas YSL, Armani, Prada e Valentino.
Parte da justificativa para a fusão da Estée Lauder e da Puig é que uma empresa combinada poderá competir melhor com a L'Oréal, uma fonte familiarizada com o negócio disse à Reuters nesta segunda-feira.
As ações da Estée Lauder, que tem uma capitalização de mercado de cerca de US$ 31 bilhões, caíram acentuadamente após a notícia, encerrando o pregão com queda de mais de 7%. O portfólio da empresa inclui a marca de cosméticos Bobbi Brown, os produtos para cuidados com a pele La Mer e as marcas de fragrâncias Le Labo, Jo Malone e Kilian Paris.
A Puig, empresa que detém linhas de perfumes icônicas como as de Jean Paul Gaultier e Byredo, além da marca de cosméticos Charlotte Tilbury, tem um valor de mercado superior a 10 bilhões de dólares.
PROBLEMAS DE REESTRUTURAÇÃO NA ESTÉE LAUDER
O acordo poderá ajudar a impulsionar os esforços de recuperação da Estée Lauder. (link) enquanto enfrenta a fraca demanda do consumidor nos EUA. No mês passado, a previsão anual da empresa ficou aquém das estimativas de Wall Street, já que a fraca demanda nas Américas superou as tendências de melhora na China e na Europa.
"Uma possível fusão entre a Estée Lauder e a Puig poderia abalar a indústria da beleza, mas também poderia trazer ainda mais problemas para a Estée Lauder", disse Rachel Wolff, analista da eMarketer.
"Um acordo desta magnitude poderia complicar a capacidade da Estée Lauder de inovar e acompanhar concorrentes mais ágeis."
No mês passado, a Puig relatou uma desaceleração no crescimento do segmento de fragrâncias, com as vendas se normalizando após o impulso gerado pela pandemia. Isso também pode complicar os planos de crescimento da Estée Lauder, acrescentou Wolff.
O anúncio surge em meio a um aumento nas negociações no setor de beleza — a Elf Beauty ELF.N adquiriu (link) a marca de cuidados com a pele de Hailey Bieber, Rhode, no ano passado, enquanto a Coty COTY.N lançou (link) uma revisão estratégica de seu negócio de produtos de beleza para o consumidor, que pode levar à venda de marcas como CoverGirl e Rimmel.
Segundo o Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com as negociações, a Estée Lauder e a Puig discutiram uma fusão envolvendo uma combinação de dinheiro e ações.
As empresas afirmaram em comunicados que ainda não foi alcançado nenhum acordo sobre a possível fusão e que não há garantias quanto ao negócio ou seus termos.
FOCO EM FRAGRÂNCIAS
O segmento de fragrâncias, o terceiro maior da Estée Lauder em receita, tem crescido de forma constante, em parte graças aos consumidores da Geração Z, que tornaram os perfumes itens essenciais em seus guarda-roupas. Nos resultados trimestrais mais recentes da Estée Lauder, a unidade registrou um aumento de 9%, enquanto as vendas líquidas totais cresceram 6%.
A Estée, que tem um longo histórico de crescimento por meio de aquisições, havia comprado (link) a marca de moda norte-americana Tom Ford por US$ 2,8 bilhões em 2022, em seu maior negócio até o momento. A empresa também destacou o segmento de fragrâncias como um fator-chave de crescimento em sua reestruturação.
"Do ponto de vista estratégico, este acordo faz sentido. A Estée Lauder tem uma grande lacuna em seu portfólio de fragrâncias em comparação com empresas como L'Oréal e LVMH, e essa combinação preencheria essa lacuna", disse Nik Modi, analista da RBC Capital Markets.
A Puig obtém mais de 70% de sua receita com fragrâncias. A empresa, que realizou a maior oferta pública inicial (IPO) da Espanha em quase uma década em 2024, divulgou (link) um aumento de 12% no lucro líquido de 2025 no mês passado.