LONDRES, 16 Mar (Reuters) - A guerra no Oriente Médio está elevando drasticamente os preços da energia (link) e isso coloca os bancos centrais, já fragilizados pela alta da inflação de 2022, em uma situação delicada.
Os investidores, ávidos por ouvir a opinião dos formuladores de políticas, terão uma oportunidade com bancos centrais dos Estados Unidos ao Brasil, da Europa ao Japão nesta semana.
Aqui está um resumo da semana para os mercados mundiais, por Amanda Cooper, Dhara Ranasinghe e Karin Strohecker em Londres, Lewis Krauskopf em Nova York e Rae Wee em Cingapura.
1/ EM UMA SITUAÇÃO DIFÍCIL
As esperanças de uma resolução rápida para a guerra parecem estar diminuindo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a guerra terminará quando ele disser que acabou. Mas os navios-tanque estão em chamas (link) no Golfo, há danos às instalações de carregamento e transporte de petróleo em todo o Oriente Médio e o novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, (link) está apelando para que o Estreito de Ormuz permaneça fechado.
Portanto, os investidores estão começando a aceitar que, mesmo que haja um cessar-fogo em breve, isso pode levar algum tempo (link) antes que os fluxos de petróleo, gás natural, fertilizantes e outros produtos petroquímicos retornem ao normal.
Entretanto, os preços do petróleo estão se mantendo acima de US$ 100 o barril, os preços do gás natural dispararam e os investidores descartaram as previsões sobre inflação e taxas de juros para este ano.
É um mau momento para ser um analista.
2/ AINDA EM MODO DE REDUÇÃO DE TAXA?
O relatório de empregos dos EUA, surpreendentemente fraco em fevereiro, (link) apoia a argumentação em favor de novos cortes nas taxas de juros, algo que Trump vem defendendo há tempos.
No entanto, o conflito no Oriente Médio complica repentinamente (link) o cenário e o Federal Reserve, que conclui sua reunião de dois dias na quarta-feira, estará sob pressão em relação às perspectivas (link).
Espera-se que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas pela segunda reunião consecutiva, após tê-las reduzido no ano passado para fortalecer o mercado de trabalho.
Os contratos futuros de fundos federais indicam que os investidores moderaram as expectativas de cortes nas taxas de juros este ano, à medida que a alta dos preços do petróleo agrava as preocupações com a inflação, que já está acima da meta do Fed. Isso pode potencialmente levar a um novo confronto entre o Fed e Trump nos próximos meses.
No Canadá, que também realiza uma reunião do banco central (link) na quarta-feira, os investidores antecipam um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros (link) até o final do ano.
3/ ADEUS 'GOOD PLACE', OLÁ DESCONHECIDO
Quinta-feira é um dia importante para a Europa, com reuniões dos bancos centrais da zona do euro, da Suíça e do Reino Unido.
A alta dos preços do petróleo coloca a Europa, dependente de importações de energia, em uma situação difícil (link). As lembranças de 2022, quando um aumento inicial da inflação foi considerado transitório (link), são profundas.
Os mercados já precificam aumentos nas taxas de juros ainda este ano por parte do Banco Central Europeu e do Banco Nacional Suíço (link), enquanto os cortes nas taxas de juros do Banco da Inglaterra foram rapidamente descartados.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, que durante meses enfatizou que o BCE está em uma "boa posição", provavelmente será questionada sobre como ela vê essa posição agora.
O Banco da Inglaterra tem menos margem de manobra. Há poucas semanas, um corte nas taxas de juros em março era amplamente esperado. Diante da inflação relativamente estável e da nova pressão de alta, essa medida está descartada.
4/ QUER ENTRAR PARA A NOSSA GANGUE?
O Reserve Bank of Australia (RBA) e o Banco do Japão (BOJ) são os únicos dois do grupo G10 em modo de aumento de juros.
Questões sobre a guerra no Oriente Médio (link) e a inflação são fatores-chave para os investidores, especialmente no Japão (link), que depende fortemente da região para quase todo o seu abastecimento de petróleo.
Para o RBA (banco central da Austrália), a perspectiva é um pouco mais clara. Os mercados precificam uma probabilidade superior a 70% de um aumento de 25 pontos-base na terça-feira, e um número crescente de economistas antecipa essa mudança (link) após um alerta de inflação (link) de uma autoridade de alto escalão.
O cenário é complicado para o Banco do Japão.
As expectativas para o próximo aumento de taxas de juros foram completamente desorganizadas (link), visto que um aumento prolongado nos preços da energia poderia acarretar um duplo impacto negativo, com baixo crescimento e alta inflação, para a economia dependente de importações.
5/ Devo ficar ou devo ir agora?
A direção da política de taxas de juros (link) mudou para muitos mercados emergentes, passando de cortes para aumentos – mas não para todos.
Os formuladores de políticas do Brasil, que devem divulgar sua decisão sobre a taxa de juros na quarta-feira, já eram esperados para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário após manterem as taxas em seu maior patamar em 20 anos, de 15%, desde julho.
Mas a alta do preço do petróleo desencadeada pela guerra com o Irã levou os analistas a revisarem suas previsões (link): Alguns agora esperam um corte menor, de 25 pontos-base em vez de 50 pontos-base, enquanto outros preveem que o afrouxamento monetário poderá ser adiado por completo, à medida que os formuladores de políticas reavaliam as pressões inflacionárias (link).
O banco central da Turquia (link) acaba de interromper seu programa de corte de juros, enquanto as autoridades na Polônia ponderam se (link) o corte na taxa de juros anunciado no início de março pode ser o último por algum tempo.