Por Jody Godoy e Kritika Lamba
9 Mar (Reuters) - A Live Nation Entertainment LYV.N chegou a um acordo proposto com o Departamento de Justiça dos EUA em um processo antitruste que visava seu domínio na indústria de eventos ao vivo, de acordo com uma audiência judicial realizada na segunda-feira.
Na mesma audiência, foi revelado que a Live Nation também está em negociações com procuradores-gerais estaduais para garantir uma resolução global mais ampla das alegações antitruste relacionadas em nível estadual.
As ações da empresa sediada na Califórnia subiram cerca de 6%.
A Live Nation, a Ticketmaster e o Departamento de Justiça não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.
O desenvolvimento gera caos no caso em meio ao que seria um julgamento de várias semanas. Nova York e outros 38 estados, além de Washington, D.C., também têm ações contra a Live Nation.
Um advogado de Washington, D.C., solicitou a anulação do julgamento em nome dos estados. O juiz estava analisando o pedido na manhã de segunda-feira, ou a possibilidade de suspender o julgamento para permitir que os estados se preparassem para prosseguir por conta própria.
O juiz distrital dos EUA, Arun Subramanian, questionou por que as partes não informaram o tribunal antes sobre o acordo, que foi assinado na quinta-feira. Uma advogada do Departamento de Justiça disse que não tinha conhecimento do acordo, visto que o julgamento prosseguia na sexta-feira.
"Isso demonstra total desrespeito ao tribunal, ao júri, a todo esse processo, e é completamente inaceitável", disse ele.
Fãs e políticos intensificaram os apelos para que a aquisição da Ticketmaster pela Live Nation em 2010 fosse examinada, depois que a empresa submeteu os fãs de Taylor Swift a longas filas online e cobrou preços exorbitantes pelos ingressos de sua turnê Eras, em 2022.
O Departamento de Justiça dos EUA e mais de duas dezenas de estados entraram com uma ação judicial (link) em maio de 2024 para desmembrar a Live Nation, exigindo a venda da Ticketmaster e alegando que as empresas inflacionaram ilegalmente os preços dos ingressos para shows (link) e prejudicaram os artistas.
O julgamento do caso começou na semana passada, depois que um juiz em fevereiro rejeitou (link) a tentativa da Live Nation de arquivar o processo.
Segundo uma reportagem da Politico, o acordo exige que a gigante dos shows pague cerca de US$ 200 milhões em indenizações aos estados participantes e se submeta a amplas reformas estruturais que visam seu controle, há muito criticado, sobre a venda de ingressos, locais de shows e promoção de artistas.
"O acordo recentemente anunciado com o Departamento de Justiça dos EUA não aborda o monopólio que está no centro deste caso e beneficiaria a Live Nation em detrimento dos consumidores. Não podemos concordar com ele", disse a Procuradora-Geral de Nova York, Letitia James.
Segundo o relatório, o acordo obrigará a Ticketmaster a abrir partes de sua plataforma tecnológica para empresas concorrentes de venda de ingressos, permitindo que vendedores terceirizados, como SeatGeek e Eventbrite, anunciem ingressos diretamente em seu sistema.