Por Julie Zhu e Christoph Steitz
HONG KONG/FRANKFURT, 11 Mar (Reuters) - As ações das companhias aéreas despencaram na segunda-feira, enquanto as passagens aéreas dispararam devido à guerra dos EUA e de Israel (link) contra o Irã, o que fez com que os preços do petróleo disparassem, gerando temores de uma queda acentuada nas viagens e da possibilidade de uma paralisação generalizada de voos.
Os preços do petróleo (link) subiram 15%, ultrapassando os US$ 105 por barril, atingindo níveis não vistos desde 2022, em meio a cortes na oferta por parte de alguns dos principais produtores e temores de interrupções prolongadas no transporte marítimo. Em determinado momento, os contratos futuros do petróleo Brent chegaram a subir 29%.
O preço de alguns combustíveis de aviação dobrou desde o início do conflito, aumentando a pressão sobre as companhias aéreas que já navegam em espaço aéreo restrito, enquanto os pilotos (link) redirecionam as rotas para evitar o conflito no Oriente Médio e milhares de passageiros retidos tentam deixar a região.
"Na ausência de um alívio a curto prazo, as companhias aéreas de todo o mundo poderão ser forçadas a deixar milhares de aeronaves em solo, enquanto algumas das empresas mais frágeis financeiramente do setor poderão interromper suas operações", disseram analistas do Deutsche Bank em nota aos clientes.
Menos viajantes a lazer à vista?
Na Ásia, as ações das companhias aéreas despencaram, com as mais afetadas incluindo a Korean Air Lines 003490.KS, que caiu 8,6%, a Air New Zealand AIR.NZ, com queda de 7,8%, e a Cathay Pacific de Hong Kong 0293.HK, que recuou 5%.
Na Europa, as ações da Air France KLM AIRF.PA, da IAG (proprietária da British Airways) ICAG.L, da Wizz Air WIZZ.L e da Lufthansa LHAG.DE caíram entre 2,5% e 6% nas negociações da manhã.
As ações das principais companhias aéreas americanas caíram entre 1% e 5% no pregão da tarde, com a JetBlue Airways JBLU.O recuando 5,35%, seguida pela American Airlines AAL.O com queda de 3,44%.
Para reforçar essa dificuldade para o consumidor, houve aumentos repentinos nos preços das passagens. Voos diretos de Seul para Londres, em 11 de março, com a Korean Air Lines, por exemplo, saltaram para US$ 4.359, ante US$ 564 sete dias antes, segundo dados do Google Flights, porque a primeira classe passou a ser a opção mais barata disponível. Voos de Los Angeles para Lima, com a LATAM Airlines LTM.SN, subiram para US$ 2.125, comparados a US$ 499 no mesmo período.
"A questão para as companhias aéreas agora é que a demanda por viagens pode ser reduzida, já que os custos se tornam proibitivos para os viajantes a lazer e algumas empresas começam a limitar as viagens a negócios devido às perspectivas incertas", disse Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar.
O impacto das altas tarifas aéreas pode limitar a demanda por viagens durante grande parte de 2026, acrescentou Tan.
O combustível é a segunda maior despesa das companhias aéreas, depois da mão de obra, representando normalmente de um quinto a um quarto das despesas operacionais. Algumas das principais companhias aéreas asiáticas e europeias têm contratos de hedge de petróleo (link), mas as companhias aéreas americanas praticamente abandonaram essa prática nas últimas duas décadas.
"Partimos do princípio de que as companhias aéreas conseguirão recuperar parte do aumento nos preços dos combustíveis, mas é difícil imaginar uma expansão das margens este ano, a menos que haja uma queda rápida nos preços da energia", disse Tom Fitzgerald, vice-presidente de pesquisa de ações da TD Cowen, que analisa seis das principais companhias aéreas dos EUA e a Air Canada.
Uma passagem só de ida de Newark para a cidade de Quebec, em 11 de março, pela Air Canada, quase triplicou de preço, chegando a US$ 1.499 em comparação com a semana anterior, segundo dados do Google Flights.
CONFLITO ADICIONA 'CUSTO SIGNIFICATIVO' PARA COMPANHIAS AÉREAS
Preços elevados podem ter sérias implicações para o setor.
"Se o preço do petróleo bruto está subindo 20%, o do querosene de aviação está subindo várias vezes mais, pois está ainda mais escasso, o que aumenta significativamente os custos operacionais, além de sobrecarregar os recursos da tripulação, que ficam sobrecarregados devido aos maiores tempos de voo quando o espaço aéreo está fechado", disse Subhas Menon, presidente da Associação de Companhias Aéreas da Ásia-Pacífico.
Os analistas do Deutsche Bank observaram que um aumento acentuado nos custos do combustível de aviação em 2005, após os furacões Katrina e Rita, resultou em danos generalizados e significativos para o setor, incluindo o pedido de falência, ao abrigo do Capítulo 11, por parte das principais companhias aéreas Delta e Northwest naquele ano.
Desde 28 de fevereiro, quando começou a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, até 9 de março, mais de 40.000 voos de e para o Oriente Médio foram cancelados, de acordo com dados da Cirium.
Com o espaço aéreo severamente restrito, as companhias aéreas foram obrigadas a redirecionar voos, transportar combustível extra ou fazer paradas adicionais para reabastecimento, a fim de se protegerem contra desvios repentinos ou rotas de voo mais longas por corredores mais seguros.
De acordo com a Cirium, as companhias aéreas Emirates, Qatar Airways e Etihad, juntas, normalmente transportam cerca de um terço dos passageiros da Europa para a Ásia e mais da metade de todos os passageiros da Europa para a Austrália, Nova Zelândia e ilhas próximas do Pacífico.
O ministro dos Transportes da Turquia, Abdulkadir Uraloglu, anunciou no domingo o cancelamento dos voos para o Iraque, Síria, Líbano e Jordânia operados pela Turkish Airlines THYAO.IS, AJet, Pegasus PGSUS.IS e SunExpress até 13 de março.