Por Jamie McGeever
ORLANDO, Flórida, 2 Mar (Reuters) - Os preços do petróleo e do gás (link) registraram sua maior alta em anos, enquanto os títulos e a maioria das bolsas de valores caíram na segunda-feira, após o ataque conjunto dos EUA e de Israel ao Irã (link) que no fim de semana desencadeou ondas de volatilidade nos mercados mundiais. A grande – e surpreendente – exceção foi Wall Street (link).
Na minha coluna de hoje, analiso o dilema enfrentado pelos investidores em títulos do Tesouro dos EUA (link): eles compram títulos devido à crescente instabilidade geopolítica e ao impacto negativo no crescimento causado pela alta dos preços do petróleo, ou vendem por medo da inflação? Até o momento, as preocupações com a inflação parecem ser o principal fator.
Se você tiver mais tempo para ler, aqui estão alguns artigos que recomendo para ajudar a entender o que aconteceu nos mercados hoje.
O Irã promete atacar qualquer navio que tente atravessar o Estreito de Ormuz. (link)
Conflito com o Irã se estende ao Líbano, Kuwait abate aviões norte-americanos por engano (link)
Investidores enfrentam cenários inesperados no Oriente Médio. (link)
O Banco Nacional Suíço aumenta a sua disposição para contrariar a valorização "excessiva" do franco suíço. (link)
Atividade industrial dos EUA estável, inflação na porta da fábrica dispara. (link)
Principais movimentos do mercado hoje
AÇÕES: Quase todos os principais índices asiáticos e europeus (link) caíram, em torno de 1 a 3%. As principais exceções são os índices da China e dos EUA - o Nasdaq (link) e o Russell 2000 disparam.
SETORES/AÇÕES: Quatro dos 11 setores do S&P 500 subiram: tecnologia e indústria (+1%); energia (+2%). Bens de consumo essenciais, bens discricionários e saúde caíram 1% ou mais. Northrop Grumman, Marathon Petroleum (+6%), AES (link) -17%, Norwegian Cruise Line (link) -10%.
FX: O dólar teve seu melhor dia desde julho. O iene caiu 1%, o franco suíço recuou ainda mais devido à ameaça de intervenção do Banco Nacional Suíço. A recente alta do iuan chinês foi interrompida. O Bitcoin subiu 5%.
TÍTULOS: Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA disparam até 11 pontos-base no curto prazo, achatando a curva de juros.
MERCADORIAS/METAIS: Petróleo finalmente se estabiliza em alta de +6%, GNL europeu (link) +40% após o Catar interromper a produção. Preço médio da gasolina nos EUA ultrapassa US$ 3 por galão. Ouro (link) +1%, prata -4%.
Tópicos de discussão de hoje
Energia em alta. Muito alta
Temores de interrupções no fornecimento fazem com que os preços do petróleo e de outras energias disparem. O petróleo recuou das máximas anteriores, mas ainda assim encerrou o dia de negociações com alta de 6%, levando a variação anual do preço para um território positivo. Essa é uma mudança significativa para os modelos de inflação.
A maior alta foi registrada no gás natural liquefeito (GNL), após o Catar anunciar a suspensão da produção. O GNL europeu, referência no mercado, disparou mais de 50% antes de reduzir os ganhos para 40%, ainda assim a maior alta em um único dia desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, há quatro anos.
Sejamos francos
Considerando a queda nas bolsas mundiais, o aumento da volatilidade do mercado e a crescente tensão geopolítica, seria de se esperar uma valorização do franco suíço na segunda-feira. Afinal, é a moeda considerada o "porto seguro" mais confiável do mundo, certo?
Mas o franco suíço despencou mais de 1% em relação ao dólar, sua maior queda desde maio, alimentando especulações de que o Banco Nacional Suíço (SNB) interveio para conter a onda de compras por ativos de refúgio. Por sua vez, o SNB afirmou em comunicado que estava preparado para fazer exatamente isso, a fim de evitar uma valorização "excessiva" do franco. Tudo indica que sim.
Resiliência ou complacência?
Após as bolsas asiáticas e europeias caírem entre 1% e 3% na segunda-feira, Wall Street também abriu em baixa. Mas logo se recuperou e encerrou o dia com resultados mistos – o Dow Jones caiu 0,15%, o índice S&P 500 subiu 0,04%, enquanto o Nasdaq avançou 0,4% e o índice Russell 2000, de pequenas empresas, teve um salto de 0,9%.
Considerando a gravidade dos eventos no Oriente Médio e seu impacto nos preços da energia e nos rendimentos dos títulos, isso é notável. Pode-se até argumentar que as quedas de 1 a 3% na Ásia e na Europa foram movimentos moderados. Mas fechar em alta? Vamos ver como o resto da semana se desenrola.
O que poderá movimentar os mercados amanhã?
Desenvolvimentos no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito às interrupções no fornecimento de energia.
Conta corrente da Austrália (4º trimestre)
Desemprego no Japão (Janeiro)
Inflação da zona do euro (Fevereiro, estimativa preliminar)
A Ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, anunciará novas previsões econômicas na atualização do orçamento.
PIB do Brasil (4º trimestre)
Entre os membros da Reserva Federal dos EUA que farão discursos estão o presidente do Fed de Nova York, John Williams, o presidente do Fed de Kansas City, Jeffrey Schmid, e o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari.
Deseja receber o Trading Day na sua caixa de entrada todas as manhãs de dias úteis? Inscreva-se na minha newsletter aqui (link).
As opiniões expressas são da autoria do autor. Elas não refletem as opiniões da Reuters News, que, de acordo com os Princípios de Confiança, (link), está comprometida com a integridade, a independência e a ausência de preconceito.