Por Neil J Kanatt
2 Mar (Reuters) - Norwegian Cruise Line Holdings NCLH.N alertou na segunda-feira para as incertezas em torno dos custos de combustível este ano devido ao aumento das tensões geopolíticas e divulgou uma previsão de lucro moderada para 2026 em meio à demanda pressionada.
Ações da Norwegian e da concorrente Carnival Corp CCL.N caíram cerca de 11% e 10%, respectivamente, no início do pregão, refletindo uma onda de vendas generalizada no mercado, desencadeada pela escalada do conflito (link) entre os EUA, Israel e o Irã. Royal Caribbean RCL.N também caiu cerca de 6%.
Norwegian prevê um lucro ajustado de US$ 2,38 por ação em 2026, abaixo da estimativa dos analistas de US$ 2,55, e espera que o rendimento líquido anual – lucro por passageiro após determinados custos – permaneça estável em relação ao ano anterior.
VOLATILIDADE GEOPOLÍTICA E DOS CUSTOS DE COMBUSTÍVEL
A empresa não está operando atualmente nas áreas afetadas do Oriente Médio e não prevê impactos nos itinerários, mas está monitorando a situação de perto, disse um porta-voz à Reuters.
Executivos afirmaram, em uma teleconferência após a divulgação dos resultados, que os efeitos de longo prazo dos conflitos sobre os custos de combustível permanecem incertos.
Preços dos combustíveis por tonelada métrica subiram para US$ 662 em 2025, de US$ 641 um ano antes, e espera-se que alcancem US$ 670 em 2026. Margens também estão sendo comprimidas por docagens, entregas de novos navios e manutenção.
RESERVAS REDUZIDAS, ERROS OPERACIONAIS
Norwegian afirmou que está entrando em 2026 sob um cenário "pressionado", com "certos erros de execução" contribuindo para reservas mais fracas.
Novas reservas diminuíram, uma vez que a incerteza causada pela inflação restringe os gastos das famílias com viagens de alto valor.
Analistas da Truist afirmaram que Norwegian não alinhou sua capacidade expandida no Caribe com atrações importantes, observando um atraso na inauguração de um novo parque aquático em sua ilha particular, Great Stirrup Cay.
“Nossa prioridade é agir com urgência para sanar essas lacunas, aprimorando a coordenação, reforçando a responsabilidade e fortalecendo a disciplina financeira em toda a organização”, afirmou John Chidsey, o novo presidente-executivo (link).
Entretanto, a investidora ativista Elliott Management, que divulgou (link) uma participação de mais de 10% no mês passado, pressionou por um novo plano de negócios e criticou as nomeações da liderança da empresa, incluindo a de Chidsey.
Analistas da Jefferies disseram que mudanças de liderança e instabilidade geopolítica tanto no México (link) quanto no Oriente Médio poderiam criar um “período ruidoso” para a empresa.
Receita do quarto trimestre foi de US$ 2,24 bilhões, abaixo das expectativas de US$ 2,35 bilhões, enquanto o lucro ajustado de 28 centavos por ação superou as previsões de 26 centavos.