Por Anhata Rooprai e Krystal Hu
27 Fev (Reuters) - A CoreWeave CRWV.O prevê dobrar seus investimentos de capital este ano, conforme anunciado na quinta-feira, devido aos grandes gastos para expandir sua plataforma de nuvem de IA e atender à enorme demanda por poder computacional de seus clientes para treinamento e implantação de modelos avançados de IA.
Suas ações despencaram mais de 8% após o fechamento do mercado. Elas acumulam queda de 8% no ano.
A empresa de tecnologia de infraestrutura em nuvem prevê um investimento de capital entre US$ 30 bilhões e US$ 35 bilhões em 2026, um aumento em relação aos US$ 14,9 bilhões de 2025, impulsionado pela aquisição de chips de IA da Nvidia NVDA.O, pela rápida expansão de data centers e pela compra de energia para alimentá-los.
"Tomamos a decisão de prosseguir e construir mais rapidamente para que possamos entregar mais infraestrutura", disse o presidente-executivo Michael Intrator à Reuters em entrevista.
"Isso exerce alguma pressão de curto prazo sobre as margens", disse ele, acrescentando, porém, que a expansão estava ajudando a empresa a garantir contratos estáveis.
"O primeiro trimestre será o ponto mais baixo, e depois disso haverá uma recuperação", disse ele, referindo-se às margens. A margem de lucro operacional ajustada da CoreWeave caiu para 6% no trimestre de dezembro, ante 16% no ano anterior.
Todas as despesas de capital substanciais da empresa estavam vinculadas a contratos com clientes já assinados, afirmou o diretor financeiro Nitin Agrawal na teleconferência de resultados da empresa.
Concorrendo com as gigantes da tecnologia e seus vastos recursos financeiros — espera-se que essas empresas gastem mais de US$ 600 bilhões este ano —, a CoreWeave precisa agir rapidamente para acompanhar a crescente demanda.
A carteira de pedidos da empresa aumentou para US$ 66,8 bilhões em 31 de dezembro, ante US$ 15,1 bilhões no ano anterior, impulsionada por acordos de computação em nuvem de longo prazo. No entanto, a receita depende do cumprimento das obrigações de entrega da CoreWeave e da entrada em operação de seus data centers dentro do prazo.
A CoreWeave encerrou 2025 com mais de 850 megawatts de potência ativa em 43 data centers e 3,1 gigawatts de capacidade contratada, a maior parte da qual espera que entre em operação até 2027.
"Neste momento, a CoreWeave está sendo penalizada por ter investido pouco ou muito em infraestrutura", disse Alexander Platt, analista da D.A. Davidson. "O fato de não estarem enfrentando problemas para colocar a capacidade em operação — daí o alto investimento em infraestrutura — é um sinal positivo."
DIVERSIFICANDO A CARTEIRA DE PEDIDOS
A CoreWeave é uma chamada neo-nuvem que fornece às empresas de tecnologia o hardware e a capacidade de nuvem necessários para tecnologias de IA, e conta com hiperescaladores como a Microsoft MSFT.O e o Google da Alphabet GOOGL.O entre seus concorrentes.
Mas, ao contrário dessas grandes empresas de tecnologia, a CoreWeave oferece aos seus clientes acesso exclusivo à totalidade dos chips avançados da Nvidia, chamados clusters de GPU, sem a necessidade de compartilhar capacidade.
Essa alternativa especializada e com boa relação custo-benefício ajudou a empresa a atrair clientes que vão desde laboratórios de IA até grandes empresas.
"Continuamos a diversificar nossa carteira de pedidos para o segundo semestre de 2025", disse Intrator à Reuters, observando que 70% da carteira de pedidos era proveniente de clientes financeiramente sólidos e de baixo risco.
A empresa informou que o prejuízo líquido ajustado aumentou para US$ 284 milhões no quarto trimestre encerrado em 31 de dezembro, em comparação com US$ 36 milhões no mesmo período do ano anterior.
A CoreWeave também está trabalhando para reduzir seus custos de financiamento à medida que cresce, com a administração destacando sua melhoria no acesso a capital mais barato. Em setembro do ano passado, sua dívida era de cerca de US$ 14 bilhões.
"Esperamos continuar reduzindo nosso custo médio ponderado de capital ao longo do processo", disse Intrator em uma teleconferência com analistas.
A empresa reportou uma receita de US$ 1,57 bilhão para o quarto trimestre. A projeção de receita para o primeiro trimestre era entre US$ 1,9 bilhão e US$ 2 bilhões, abaixo da estimativa de US$ 2,29 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.