Por Nell Mackenzie
LONDRES, 26 Fev (Reuters) - Algumas empresas de crédito privado que tomam empréstimos de investidores de varejo podem estar exagerando sua saúde financeira, alertou a Rubric Capital, um fundo de hedge de US$ 3 bilhões fundado por um ex-gestor de destaque da Point72, em uma carta aos seus investidores vista pela Reuters.
O fundo de hedge afirmou que algumas empresas de desenvolvimento de negócios (BDCs), que concedem empréstimos a pequenas empresas, estão transferindo empréstimos do balanço patrimonial entre trimestres, fazendo com que pareçam menos endividadas, conforme mostra a carta de 18 de fevereiro. A dívida reaparece no balanço patrimonial alguns dias após o término do trimestre, acrescenta a carta.
"A principal conclusão que tiramos desse comportamento é que os cortes na distribuição são tão preocupantes que alguns agentes mal-intencionados estão praticando manobras contábeis semelhantes às da Enron", dizia a carta.
Segundo a carta, as empresas estão usando empréstimos semelhantes a operações de recompra de um determinado banco de investimento para mascarar dívidas.
A Rubric Capital não divulgou o nome do banco nem das BDCs envolvidas, e a Reuters não conseguiu verificar de forma independente se essa prática está sendo implementada e em que escala.
A Rubric Capital recusou-se a comentar quando contatada pela Reuters.
O mercado de crédito privado tem sido tomado por ansiedade nos últimos meses desde as falências da fabricante de autopeças First Brands (link) e da credora subprime Tricolor (link) no ano passado. As consequências intensificaram o escrutínio de um mercado que cresceu rapidamente, atraindo grandes investimentos institucionais e aumentando os empréstimos corporativos nos últimos anos. Uma nova onda de incerteza surgiu nas últimas semanas.
O setor de BDCs (Business Development Companies) administra mais de US$ 300 bilhões em ativos e representa aproximadamente um quarto dos empréstimos diretos nos Estados Unidos, de acordo com uma nota do Banco de Compensações Internacionais (BIS) de julho. Esses veículos de investimento fechados podem ser privados ou listados em bolsas de valores.
A Enron declarou falência em 2001 após usar veículos fora do balanço patrimonial e outros truques contábeis para ocultar dezenas de bilhões de dólares em dívidas.