20 Fev (Reuters) - O relatório de resultados da Nvidia será o ponto central dos mercados na próxima semana, acompanhado por dados importantes e pela política europeia, onde políticos e banqueiros centrais disputam os principais cargos.
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre a próxima semana nos mercados financeiros, com informações de Lewis Krauskopf em Nova York, Rae Wee em Cingapura e Marc Jones, Harry Robertson e Dhara Ranasinghe em Londres.
1/ O MOMENTO DA NVIDIA
A Nvidia NVDA.O, referência em inteligência artificial, deve divulgar seus resultados trimestrais, em meio à preocupação dos investidores com o retorno sobre os investimentos em IA (link) e as perturbações industriais causadas pela tecnologia emergente.
O relatório de quarta-feira da gigante de semicondutores, a maior empresa do mundo em valor de mercado, será um evento importante para os mercados de ações. As ações da Nvidia dispararam após o lançamento do ChatGPT no final de 2022.
Ainda assim, as ações da empresa e de outras megacapitalizações do grupo "Magnificent Seven" permaneceram estagnadas até agora em 2026 (link).
Os investidores também estarão de olho, na próxima semana, nos balanços de empresas de software, incluindo Salesforce CRM.N e Intuit INTU.O. As ações de empresas de software sofreram fortes quedas neste ano (link) devido a preocupações de que a IA levará a uma reviravolta nos modelos de negócios do setor.
2/ ANGÚSTIA DE ANIVERSÁRIO
Na terça-feira, completam-se quatro anos da invasão russa em larga escala da Ucrânia (link), e embora a pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, por um cessar-fogo (link) continue, concretizá-lo permanece extremamente difícil em todas as frentes.
A Ucrânia tem enfrentado pressão constante para aceitar um acordo que pode significar concessões dolorosas, enquanto as forças russas bombardeiam sua rede elétrica e avançam lentamente no campo de batalha.
Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional (link) Tudo indica que o apoio prolongado será aprovado sem questionamentos, o que significa que os títulos de Kiev estão em alta.
Como demonstra a volatilidade dos preços do petróleo, os mercados também estão lidando com a possibilidade de uma ação militar dos EUA contra o Irã (link), em meio à longa disputa sobre as capacidades nucleares de Teerã. As ações do setor de defesa e o ouro também se beneficiaram.
Inclua os pontos de conflito deste ano na Groenlândia (link) e na Venezuela (link), bem como as situações explosivas em Gaza, na África e em Taiwan, e analistas alertam para uma era de turbulência geopolítica generalizada, onde uma crise sucede a outra.
3/ AINDA AQUECIDA
O índice de preços ao consumidor da Austrália, previsto para quarta-feira, será acompanhado de perto pelos investidores, que apostam que o banco central aumentará as taxas de juros pelo menos mais uma vez este ano, visto que a economia permanece robusta e a inflação se mostra persistente.
No início deste mês, o banco central da Austrália tornou-se o único banco central do G10 fora do Japão a adotar uma política monetária mais restritiva (link), enquanto luta para controlar a inflação em uma economia com oferta restrita.
Qualquer surpresa positiva nos números de quarta-feira reforçaria ainda mais as apostas de que os formuladores de políticas poderiam promover outro aumento de 25 pontos-base (link) em maio 0#AUDIRPR, levando a taxa básica de juros para 4,10%.
Em outras partes da Ásia, os dados de inflação de Tóquio serão divulgados na sexta-feira, embora seja improvável que alterem significativamente as perspectivas do Banco do Japão.
Analistas afirmam que a vitória histórica da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi nas eleições (link) abre caminho para um maior aperto monetário do Banco do Japão, levando os mercados a precificar dois aumentos de juros até dezembro. 0#JPYIRPR
4/ PRESSÃO KEIR
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta um momento decisivo nesta quinta-feira, quando uma eleição especial em Manchester poderá representar um golpe fatal para sua liderança já fragilizada.
Os investidores estarão acompanhando de perto. Alguns temem que um sucessor de Starmer mais à esquerda possa aumentar os gastos e os empréstimos, agravando a onda de títulos do governo que chega aos mercados.
Os títulos do governo britânico e a libra esterlina oscilaram (link) no início deste mês, quando uma crise atingiu Starmer devido ao que ele sabia sobre as ligações de Peter Mandelson com o pedófilo Jeffrey Epstein, ao nomear o primeiro como embaixador dos EUA.
Os mercados se acalmaram quando o gabinete de Starmer o apoiou, e as recentes vendas de títulos do Reino Unido registraram demanda recorde (link), visto que os investidores aproveitaram as taxas de juros altíssimas oferecidas.
Caso o Partido Trabalhista seja derrotado pelo Partido Reformista de Nigel Farage ou pelos Verdes na circunscrição de Gorton e Denton, sexta-feira poderá ser mais um dia instável para os mercados britânicos e para Westminster.
5/ MUITO BARULHO POR NADA
As perspectivas, de outra forma monótonas, para o BCE ganharam um novo fôlego após uma reportagem do Financial Times afirmar que Christine Lagarde planeja deixar o cargo (link) de presidente mais cedo.
Lagarde disse (link) ao Wall Street Journal que espera que a conclusão de sua missão como presidente do BCE leve até o final de seu mandato.
Tudo isso faz com que os investidores se concentrem na sucessão em um dos bancos centrais mais importantes do mundo, ao mesmo tempo em que se preparam para mudanças no Fed (link).
Segundo o Financial Times, a saída antecipada de Lagarde visa dar ao presidente francês cessante, Emmanuel Macron, a oportunidade de escolher seu sucessor.
Ainda é cedo, e os dados preliminares de inflação de fevereiro na Alemanha, França e Espanha, que serão divulgados na sexta-feira, provavelmente confirmarão taxas estáveis (link) pelo resto de 2026.
Ainda assim, um jogo de adivinhação sobre quem liderará o BCE (link) está em curso. E considere o seguinte: a independência dos bancos centrais foi comprometida por políticos tentados a flexibilizar as regras para garantir a escolha de seu candidato a presidente do BCE?