
Por Padmanabhan Ananthan e Sriparna Roy
9 Fev (Reuters) - Eli Lilly LLY.N comprará a Orna Therapeutics por até US$ 2,4 bilhões em dinheiro, obtendo acesso a uma tecnologia que permite que as próprias células dos pacientes gerem terapias dentro do corpo, sem a necessidade de extraí-las.
O acordo, anunciado na segunda-feira, é o mais recente de uma série de transações assinadas pela farmacêutica norte-americana nos últimos meses para diversificar seus negócios além da obesidade. As ações da Lilly subiram mais de 3% nas negociações da manhã.
Orna está desenvolvendo terapias que utilizam uma forma de RNA chamada RNA circular, juntamente com nanopartículas lipídicas inovadoras. Seu principal medicamento candidato, o ORN-252, está nos estágios iniciais de desenvolvimento.
Trata-se de um tipo de tratamento chamado célula T com receptor de antígeno quimérico, ou CAR-T, que tem como alvo células com um receptor chamado CD19.
As terapias CAR-T modificam as células imunológicas do paciente para que reconheçam um alvo específico e destruam as células cancerígenas.
Empresas farmacêuticas como Bristol Myers Squibb BMY.N, Gilead GILD.O e Johnson & Johnson JNJ.N já oferecem terapias CAR-T para tratar o câncer, mas a maioria envolve isolar as células, alterá-las e infundi-las de volta no corpo dos pacientes.
Em vez de modificar as células em laboratório, Orna pretende produzi-las "in vivo", ou seja, dentro do corpo.
Plataforma da Orna tem o potencial de expandir as capacidades da Lilly na área de oncologia e imunologia, afirmou Evan Seigerman, analista da BMO Capital Markets.
Seigerman, no entanto, afirmou que a tecnologia é de alto risco e não foi validada em grandes ensaios clínicos, além de ter destacado a forte concorrência da Bristol Myers, AbbVie ABBV.N e Gilead, que fecharam acordos nessa área no ano passado.
Lilly, que domina o competitivo mercado da obesidade, tem diversificado sua atuação além de seus medicamentos de grande sucesso para perda de peso, investindo em outras áreas terapêuticas, como doenças inflamatórias intestinais, câncer, distúrbios oculares e tecnologias de edição genética, por meio de aquisições e parcerias.
Empresa fechou um acordo (link) com a chinesa Innovent Biologics 1801.HK este mês para desenvolver medicamentos imunológicos e oncológicos. Seria um pagamento inicial de US$ 350 milhões, podendo chegar a US$ 8,5 bilhões adicionais caso as metas sejam atingidas.