
LONDRES, 9 Fev (Reuters) - O resultado das eleições antecipadas no Japão, uma grande quantidade de dados importantes dos EUA, a temporada de balanços e uma queda em(algumas) ações de tecnologia sugerem que os investidores terão pouco tempo de inatividade na próxima semana.
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre os próximos acontecimentos nos mercados financeiros, por Rae Wee em Cingapura, Lewis Krauskopf em Nova York e Karin Strohecker, Tommy Wilkes e Lucy Raitano em Londres.
1/ VITÓRIA ESMAGADORA
A coligação da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi conquistou uma vitória histórica nas eleições durante o fim de semana (link), abrindo caminho para os prometidos cortes de impostos e gastos militares destinados a conter a China.
Os investidores reagiram (link) impulsionando as ações japonesas a máximas históricas na segunda-feira, enquanto os títulos de longo prazo reverteram a fraqueza inicial, em um aparente voto de confiança na política fiscal "responsável e proativa" de Takaichi (link).
O iene JPY= também se manteve estável, já que a ameaça iminente de uma possível intervenção cambial (link) deixou os investidores hesitantes em forçá-lo a cair.
Embora os eleitores tenham dado a Takaichi um mandato expressivo (link) para reativar a economia, os investidores dizem que ela tem pouca margem para aumentar os déficits, ou a pressão sobre os títulos e a moeda voltará rapidamente.
Um dos primeiros testes será como ela lidará com a promessa de suspender (link) o imposto de 8% sobre vendas de alimentos do Japão e como ela planeja financiá-lo.
2/ A IA se divide em vencedores e perdedores
A Cisco Systems CSCO.O e a alemã Siemens Energy divulgam seus resultados financeiros na quarta-feira.
Eles se beneficiaram do boom da IA de diferentes maneiras, mas agora o Barclays afirma que o comércio está "apresentando extrema dispersão".
Em outras palavras, o mercado está discernindo com mais convicção entre vencedores e perdedores. A sensibilidade em relação a quais empresas estão se beneficiando ou sofrendo com a disrupção da IA é evidente na queda das ações de software e análise de dados (link). Elas despencaram à medida que os investidores se concentraram na ameaça existencial representada por modelos de IA cada vez mais poderosos.
Enquanto isso, as empresas que viabilizam a IA e contribuem para a expansão global de data centers de IA tiveram um desempenho melhor. Mas, com o fantasma de uma bolha estourando e os mercados próximos de máximas históricas, seria prudente manter a cautela.
3/ DESPEJO DE DADOS ATRASADO
Uma dose dupla dos principais relatórios econômicos dos EUA deve fornecer aos investidores uma visão crítica da economia, após os comunicados terem sido ligeiramente atrasados devido à paralisação do governo de três dias que terminou recentemente.
O relatório de empregos não agrícolas de janeiro, com divulgação agora prevista para quarta-feira (link), é esperado que mostre um aumento de 70.000 empregos, segundo pesquisa da Reuters. O Federal Reserve apontou sinais de estabilização no mercado de trabalho ao manter as taxas de juros estáveis (link) no mês passado, interrompendo seu ciclo de flexibilização.
Dois dias depois, será divulgado o índice de preços ao consumidor de janeiro, uma das medidas mais acompanhadas para avaliar as tendências da inflação.
Os dados surgem num momento em que os investidores avaliam o impacto do recém-nomeado presidente do Fed, Kevin Warsh (link), que poderá assumir o cargo a tempo da reunião do Fed em junho. Os mercados atualmente consideram essa reunião como a próxima provável data para um corte na taxa de juros. (link)
4/DE MUNIQUE, COM AMOR
A Conferência de Segurança de Munique começa nesta quinta-feira. Em sua sétima década, o encontro anual teve possivelmente sua edição mais importante — e controversa — em 2025, quando uma série de declarações dos EUA preparou o terreno para uma mudança tectônica na ordem internacional, que ainda está em curso hoje.
Não faltam questões geopolíticas controversas — desde o Irã (link) até a Ucrânia (link) e a Groenlândia (link) — enquanto grandes dúvidas sobre o futuro papel da Otan permanecem.
Mas a reunião parece ir além do seu âmbito habitual: o Banco Central Europeu está a trabalhar para abrir o acesso (link) à liquidez em euro a mais países — parte dos esforços para fortalecer o papel internacional da moeda única, disseram fontes à Reuters.
O anúncio provavelmente virá da presidente do BCE, Christine Lagarde, que abrirá uma mesa-redonda sobre dependências comerciais na conferência.
5/ O momento de glória dos bancos europeus chegou ao fim?
Os bancos europeus estiveram entre as ações com melhor desempenho nos últimos 12 meses .SX7P, com uma valorização superior a 60%, impulsionados pelo aumento da rentabilidade, baixos índices de inadimplência e uma generosa distribuição de caixa aos acionistas.
Os bancos britânicos Barclays BARC.L e NatWest NWG.L e o italiano UniCredit CRDI.MI divulgam seus resultados de 2025 nos próximos dias, seguindo números geralmente fortes (link) já apresentados pelo Deutsche Bank DBKGn.DE e pelo BNP Paribas BNPP.PA. O banco francês e o Lloyds LLOY.L também elevaram suas principais metas de rentabilidade.
Mas analistas alertam que os bons tempos não podem durar, especialmente se as economias europeias desacelerarem. O banco espanhol BBVA BBVA.MC viu suas ações caírem 7% na quinta-feira, após reservar 19% a mais em caixa para perdas com empréstimos no quarto trimestre (link) do que um ano antes.
Além das perspectivas financeiras, os investidores procuram sinais de que os executivos estejam dispostos a investir mais do seu capital excedente em aquisições, como a aquisição da credora norte-americana Webster Financial WBS.N pelo Santander, recentemente anunciada por US$ 12,2 bilhões (link).