
Por Michael Erman
3 Fev (Reuters) - A MSD & Co MRK.N previu na terça-feira que as vendas e os lucros de 2026 ficarão abaixo das estimativas de Wall Street, uma vez que a perda da exclusividade da patente do medicamento para diabetes Januvia e de outros medicamentos terá um impacto maior do que o previsto pelos analistas.
As perspectivas mais fracas do que o esperado ofuscaram o relatório do quarto trimestre, no qual a farmacêutica norte-americana superou as expectativas, impulsionada pela forte demanda por seu medicamento de imunoterapia contra o câncer, o Keytruda, um sucesso de vendas.
As ações da farmacêutica caíram 1,2% nas negociações pré-mercado.
De acordo com dados da LSEG, a empresa prevê uma receita entre US$ 65,5 bilhões e US$ 67 bilhões em 2026, sendo que o limite superior dessa faixa fica abaixo da estimativa média dos analistas, de US$ 67,6 bilhões.
"Onde reside a divergência com Wall Street, francamente, é em relação a muitos dos nossos produtos legados, e esses são produtos que estão, em grande parte, perdendo a patente", disse o presidente-executivo Rob Davis em entrevista. "Ao analisar os direcionadores estratégicos desta empresa, estou, na verdade, muito confiante."
Ele afirmou que os medicamentos que teriam desempenho inferior ao esperado pelos analistas incluem Januvia e os similares Janumet e Janumet XR, bem como Bridion, uma injeção que reverte o efeito de bloqueadores musculares ao final da cirurgia. Os analistas já previam quedas significativas nas vendas de ambos.
O novo preço do Januvia pelo Medicare — negociado sob a Lei de Redução da Inflação do ex-presidente Joe Biden — também pode prejudicar suas vendas mais do que os analistas previam.
Davis afirmou que as vendas do Lagevrio, tratamento da MSD contra a Covid-19, também devem ficar abaixo das expectativas dos analistas.
"Com a Covid perdendo força... temos visto uma desaceleração considerável", disse ele.
SÓLIDO QUARTO TRIMESTRE DE 2025
A MSD reportou um lucro ajustado de US$ 2,04 por ação no trimestre, acima da estimativa dos analistas de US$ 2,01.
A empresa registrou vendas de US$ 16,4 bilhões no quarto trimestre, superando as estimativas de Wall Street de US$ 16,2 bilhões, o que representa um aumento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O crescimento das vendas foi impulsionado principalmente pelo Keytruda, com um aumento de 7%, atingindo US$ 8,37 bilhões, superando as expectativas dos analistas de US$ 8,23 bilhões. No ano, as vendas do Keytruda totalizaram US$ 31,7 bilhões.
Esse desempenho ajudou a compensar uma queda acentuada de 34% nas vendas da vacina contra o papilomavírus humano (HPV), Gardasil, em comparação com o ano anterior, que totalizaram US$ 1,03 bilhão no trimestre. A empresa vem enfrentando uma demanda fraca pela vacina na China, o que a levou a suspender os envios para aquele país.
Em 2025, a MSD fechou dois negócios na faixa de US$ 10 bilhões, adquirindo a Cidara Therapeutics e a Verona Pharma para obter novos medicamentos antes que o Keytruda, o medicamento de prescrição mais vendido no mundo, perca a proteção da patente ainda nesta década.
Davis afirmou que a empresa continuará buscando acordos para tratamentos oncológicos, cardiometabólicos e imunológicos.
"Continuamos na faixa ideal de US$ 1 bilhão a US$ 15 bilhões, mas, como sempre dissemos, estamos dispostos a investir mais se identificarmos uma oportunidade científica que agregue valor", afirmou.