
Por Juveria Tabassum
3 Fev (Reuters) - A PepsiCo PEP.O anunciou na terça-feira que reduzirá os preços de suas principais marcas, como Lay's e Doritos, em até 15%, após a reação negativa dos consumidores contra diversos aumentos de preços anteriores.
A medida é resultado de um "amplo feedback dos consumidores sobre as limitações de acessibilidade" no segundo semestre de 2025, afirmou a empresa após divulgar resultados do quarto trimestre que superaram as expectativas do mercado.
"Passamos o último ano ouvindo atentamente os consumidores, e eles nos disseram que estão sentindo o impacto", disse Rachel Ferdinando, presidenta-executiva da PepsiCo Foods US. Os novos preços estarão nas prateleiras esta semana.
Assim como outras empresas voltadas para o consumidor, como a P&G e a Coca-Cola, a PepsiCo vem planejando reduzir os preços de entrada, visto que os consumidores norte-americanos enfrentam dificuldades com a inflação e desafios como a paralisação do governo no ano passado, que atrasou o acesso aos benefícios do programa de assistência alimentar.
A empresa também está em meio a uma estratégia agressiva para cortar custos em todos os seus negócios, após pressão do investidor ativista Elliott Management e vários trimestres de vendas fracas no importante mercado da América do Norte.
Como parte da revisão anunciada em dezembro, a PepsiCo planeja reduzir em cerca de 20% o número de produtos oferecidos nos EUA este ano. A empresa também fechou algumas fábricas da divisão de snacks e cortou vagas de emprego para reduzir custos.
Na terça-feira, a empresa manteve as previsões anuais de crescimento do lucro por ação, estimadas entre 5% e 7%, divulgadas em dezembro. Suas ações caíram cerca de 1% no pré-mercado. Em 2025, acumularam queda de aproximadamente 5% e ficaram atrás da concorrente Coca-Cola nos últimos cinco anos.
Para os consumidores que procuram opções mais baratas, a Coca-Cola introduziu (link) latas individuais mini de 7,5 onças (222 ml) de alguns de seus refrigerantes em lojas de conveniência dos EUA, com preço em torno de US$ 1,29.
As empresas de alimentos embalados também estão enfrentando um rápido crescimento de marcas próprias, à medida que grandes supermercados e varejistas, como Kroger e Walmart, investem em seus produtos de marca própria para atrair consumidores com orçamento limitado.
A PepsiCo investiu na reformulação da marca de produtos importantes, como os salgadinhos Lay's e Tostitos, para atender à preferência do consumidor por ingredientes mais naturais, em meio ao aumento do uso de medicamentos para perda de peso e ao movimento "Make America Healthy Again" (Tornar a América Saudável Novamente), apoiado pelo governo Trump.
"As iniciativas recentes dos investidores ativistas fazem sentido para nós e acreditamos que mudanças precisam ser feitas para a saúde do negócio a longo prazo. No entanto, vemos que a maioria das ações corretivas provavelmente causará diluição do lucro por ação no curto prazo", disse Nik Modi, analista da RBC Capital Markets.
O volume de negócios no principal segmento de alimentos na América do Norte caiu 1% no quarto trimestre, após uma queda de 4% nos três meses anteriores.
Seu segmento de bebidas na América do Norte está passando por uma reformulação, com o lançamento de refrigerantes prebióticos, além de bebidas com baixo teor de açúcar e sem açúcar.
A fabricante do Gatorade reportou receita de US$ 29,34 bilhões para o trimestre encerrado em 27 de dezembro, superando as estimativas de US$ 28,97 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. Seu lucro por ação ajustado trimestral de US$ 2,26 também superou as estimativas de US$ 2,24.