
Por Arsheeya Bajwa
3 Fev (Reuters) - O presidente-executivo da Palantir Technologies PLTR.O, Alex Karp, defendeu a tecnologia de vigilância da empresa, que anunciou um grande aumento nas vendas na segunda-feira, afirmando que ela possui mecanismos de segurança para evitar abusos por parte do governo, sem mencionar os esforços de fiscalização da imigração nos EUA, em Minnesota, que geraram protestos generalizados (link).
A empresa de análise de dados afirmou que a receita proveniente do governo dos EUA aumentou 66% no quarto trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 570 milhões. As vendas totais de US$ 1,41 bilhão superaram as estimativas dos analistas, e a empresa prevê um grande aumento nas vendas, em parte devido a contratos governamentais em 2026.
As ações da empresa subiram cerca de 5% no pregão estendido e, quando negociadas na Bolsa de Frankfurt, registraram alta de quase 12% no início do pregão de terça-feira, com baixo volume de negociações.
Empresas que trabalham com o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) estão atraindo mais escrutínio, visto que os norte-americanos se voltaram firmemente contra as táticas agressivas do ICE após os assassinatos de dois cidadãos norte-americanos em incidentes separados em janeiro. A empresa ganhou um contrato no ano passado com o ICE para desenvolver sistemas de vigilância para a fiscalização da imigração (link).
Durante o fim de semana, a CapGemini CAPP.PA, da França, anunciou que venderia uma pequena unidade nos Estados Unidos (link) que firmou contrato com o ICE após críticas de parlamentares franceses e outros.
Em uma teleconferência após a divulgação dos resultados, Karp afirmou que a empresa estava "apoiando de forma crucial algumas das operações mais interessantes, complexas e incomuns em que o governo dos EUA esteve envolvido", mas não especificou em quais programas governamentais a Palantir estava engajada.
A Palantir, com sede em Denver, tem comercializado cada vez mais ferramentas de IA de nível militar para empresas por meio de sua plataforma de inteligência artificial, que auxilia na integração e no desenvolvimento dessa tecnologia. A empresa se consolidou como uma das ações de IA com melhor desempenho, com uma valorização de 1.700% nos últimos três anos.
"Não deveria haver controvérsia alguma sobre o fato de que o meio mais eficaz de nos protegermos contra incursões em nossas vidas privadas é investir no desenvolvimento de uma plataforma técnica que possibilite restringir a ação e a investigação governamentais por meio de recursos de permissão granular", disse Karp em uma carta aos acionistas.
Ele afirmou que a tecnologia da empresa garante que "o Estado e seus agentes possam ver apenas o que deve ser visto, além de registros de auditoria funcionais, para detectar ameaças tanto externas quanto internas".
Ainda assim, suas ações caíram mais de 15% este ano, enquanto Wall Street questiona a altíssima avaliação da Palantir, com uma relação preço/lucro projetada para os próximos 12 meses de 140,5.
"As dúvidas sobre a avaliação não vão desaparecer", disse o analista da eToro, Zavier Wong. "A Palantir continua precificada para a perfeição, o que significa que precisará continuar apresentando um bom desempenho nos próximos trimestres."
GRANDE AUMENTO DE RECEITA ESPERADO
A empresa, fundada pelo bilionário da tecnologia Peter Thiel, com a CIA como um de seus primeiros investidores, impulsionou suas vendas com uma série de contratos governamentais. Ela espera faturar entre US$ 7,18 bilhões e US$ 7,20 bilhões em 2026, o que representaria um aumento de mais de 60% em relação a 2025.
Thiel foi um dos primeiros apoiadores do presidente Donald Trump e tem laços estreitos com importantes parlamentares de Washington, incluindo o vice-presidente JD Vance, a quem apoiou na corrida para o Senado dos EUA em 2022.
A Palantir ganhou um contrato de 30 milhões de dólares (link) do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA em abril para desenvolver um sistema (link) que identifica imigrantes indocumentados e rastreia autodeportações, sendo que, até 3 de junho, esse foi o maior contrato individual concedido pela agência dentre 46 ações contratuais federais desde 2011.
"A liberdade da vigilância governamental injustificada... exige a construção de um sistema técnico que seja projetado para possibilitar a supervisão de seu próprio uso e limitar, e não expandir, o material e as informações sujeitas a acesso", disse Karp.
De acordo com dados compilados pela LSEG, a Palantir previu vendas no primeiro trimestre entre US$ 1,53 bilhão e US$ 1,54 bilhão, acima da estimativa de US$ 1,32 bilhão.
Prevê-se que as vendas para empresas americanas em 2026 cresçam pelo menos 115%, ultrapassando os 3,14 bilhões de dólares, acelerando em relação ao crescimento de 109% registrado em 2025.