
Por Pooja Menon e Sumit Saha
2 Fev (Reuters) - A Devon Energy DVN.N, sediada em Oklahoma City, e a Coterra Energy CTRA.N, de Houston, estão se fundindo em uma transação integralmente em ações para se tornarem uma produtora de grande capitalização com posição de destaque na Bacia Permiana, em um momento em que as operadoras de xisto se consolidam para reduzir custos e aumentar a escala.
O acordo firmado na segunda-feira para criar uma empresa com um valor de mercado de US$ 58 bilhões é o maior do setor desde a aquisição da Endeavor Energy Resources pela Diamondback por US$ 26 bilhões em 2024.
A consolidação ocorre em um contexto de excesso global de petróleo e da crescente probabilidade de mais barris venezuelanos retornarem ao mercado, o que pressiona os preços do petróleo bruto dos EUA e prejudica as margens dos produtores de xisto.
Apesar de as fusões e aquisições no setor terem arrefecido (link) em 2025, os produtores na área de xisto continuarão a buscar vantagens de escala, desde a redução dos custos por barril até a extensão das pistas de perfuração em bacias maduras como a Permiana e a Anadarko.
O presidente-executivo da Devon, Clay Gaspar, liderará a empresa resultante da fusão, enquanto o presidente-executivo da Coterra, Tom Jorden, se tornará presidente não executivo do conselho.
As ações da Coterra subiram quase 14% desde que as negociações para a aquisição foram divulgadas (link) em 15 de janeiro, enquanto a Devon teve uma valorização de cerca de 6%. As ações da Coterra caíram 2,4% na segunda-feira, acompanhando uma queda de aproximadamente 5% nos preços do petróleo.
O negócio tem um valor patrimonial de US$ 21,4 bilhões, segundo cálculos da Reuters. De acordo com os termos, os acionistas da Coterra receberão 0,70 ações da Devon para cada ação que possuírem. A Devon deterá aproximadamente 54% da empresa combinada.
"A combinação é incrementalmente positiva para ambos os acionistas, pois reúne duas empresas de alta qualidade para criar uma entidade maior que deverá atrair maior interesse dos investidores no volátil mercado de energia atual", disse Gabriele Sorbara, analista da Siebert Williams Shank & Co.
Devon e Coterra têm como meta uma economia anual de US$ 1 bilhão antes dos impostos até 2027 e planejam aumentar o retorno para os acionistas por meio de dividendos mais altos e um programa de recompra de ações de mais de US$ 5 bilhões.
As empresas também buscarão ganhos ao combinar e desenvolver suas capacidades de IA.
"Uma escala desta magnitude desbloqueia vantagens operacionais e financeiras que simplesmente não estão disponíveis para operadores de menor porte", disse Clay Gaspar, presidente-executivo da Devon, em uma teleconferência com analistas.
"Isso nos permite expandir as margens por meio da eficiência operacional em nossa base de ativos sobrepostos."
Os investidores costumam duvidar de fusões como essa, que visam apenas a escala, mas a união entre Devon e Coterra tem uma justificativa estratégica, afirmou Andrew Dittmar, analista principal da Enverus Intelligence Research, apontando para o potencial de US$ 700 milhões em otimização de capital e melhorias de margem.
"A combinação da Devon com a Coterra demonstra que a onda de consolidação que varre o setor de xisto dos EUA ainda não terminou... com menos alvos óbvios restantes, as negociações corporativas daqui para frente provavelmente serão um processo lento e metódico para encontrar o parceiro certo no momento certo."
OPERAÇÕES NAS PRINCIPAIS BACIAS
A Devon e a Coterra operam em diversas formações de xisto importantes nos EUA, com posições sobrepostas na porção de Delaware da Bacia Permiana, no Texas e Novo México, bem como na Bacia de Anadarko, em Oklahoma.
A produção prevista para 2026 deverá ultrapassar 1,6 milhão de barris de óleo equivalente por dia. Mais da metade da produção e do fluxo de caixa virá da Bacia de Delaware, onde a empresa resultante da fusão deterá aproximadamente 750.000 acres líquidos no núcleo da área de exploração.
Devon afirmou que o portfólio combinado proporcionaria mais de 10 anos de estoque de alta qualidade, incluindo a maior parte dos poços com custo de produção inferior a US$ 40.
A fusão deverá ser concluída no segundo trimestre de 2026, após o qual a empresa resultante manterá o nome Devon.
Embora a empresa mantenha uma presença significativa em Oklahoma City, a sede ficará localizada em Houston, para onde a equipe executiva se mudará.