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Canadá diz que disputa sobre jatos pode ser resolvida após ações da Bombardier caírem devido à ameaça de Trump

Reuters30 de jan de 2026 às 18:31
  • As ações da Bombardier caem 5% em meio às ameaças de tarifas de Trump.
  • O Ministro dos Transportes do Canadá está em conversações com autoridades dos EUA.
  • Trump ameaça revogar a certificação e impor tarifas sobre aeronaves fabricadas no Canadá até que os aviões Gulfstream, carro-chefe da empresa, sejam certificados.

Por Allison Lampert e David Shepardson

- Autoridades canadenses disseram estar trabalhando para resolver uma disputa com o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre aprovações de jatos particulares, depois que suas ameaças de retirar a certificação (link) e de impor tarifas sobre aeronaves fabricadas no Canadá fizeram com que as ações da Bombardier caíssem 5% no meio do pregão.

Trump afirmou que as sanções seriam aplicadas até que o órgão regulador de transportes do Canadá certificasse os modelos mais recentes de jatos executivos produzidos pela concorrente norte-americana Gulfstream.

Embora um funcionário da Casa Branca tenha dito à Reuters que Trump não estava sugerindo a descertificação de aeronaves de fabricação canadense atualmente em operação, o alerta do presidente na noite de quinta-feira causou confusão e alarme entre companhias aéreas, analistas de aviação e trabalhadores do setor aeroespacial, além de compradores e proprietários de jatos particulares.

A ministra da Indústria do Canadá, Melanie Joly, disse à rede canadense CBC na sexta-feira que, embora a certificação não deva ser politizada, o ministro dos Transportes do país está em contato com autoridades americanas.

"Acreditamos que isso pode ser resolvido", disse Joly. "O processo de certificação está bem encaminhado e os pedidos de certificação são absolutamente recentes."

TENSÕES MAIS AMPLAS

A disputa surge na sequência de tensões mais amplas entre os países vizinhos, depois de o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, citando a política comercial dos EUA, ter instado as nações, na semana passada, a aceitarem o fim da ordem global baseada em regras que Washington outrora defendera.

Uma fonte familiarizada com o assunto disse acreditar que as ameaças de Trump estavam ligadas a essas tensões, e não à possibilidade da Gulfstream perder negócios no pequeno mercado canadense de aviação privada. Representantes do setor afirmaram que eventuais atrasos no Canadá na certificação dos jatos executivos G700 e G800 da Gulfstream não representavam um obstáculo para as vendas.

"Não observei que essa questão tenha adiado qualquer comportamento de compra", acrescentou Ehsan Monfared, advogado especializado em aviação do escritório YYZ Law, em Toronto.

Um canadense que deseje comprar um avião Gulfstream poderia colocá-lo em um fundo fiduciário para não cidadãos dos EUA e registrá-lo nos Estados Unidos enquanto aguarda a certificação do órgão regulador Transport Canada, explicou ele.

Monfared afirmou não acreditar que o órgão regulador estivesse tentando punir as aeronaves americanas.

A Gulfstream, com sede em Savannah e divisão da General Dynamics (GD.N), recusou-se a comentar, assim como sua controladora. O Ministério dos Transportes do Canadá não respondeu ao pedido de comentário.

Aeronaves e componentes aeroespaciais escaparam em grande parte do impacto da guerra comercial liderada pelos EUA e promovida por Trump, com aviões fabricados no Canadá que atendem aos requisitos do acordo comercial USMCA continuando a ser exportados para o sul da fronteira.

Na noite de quinta-feira, Trump disse que estava "descertificando seus Bombardier Global Express e todas as aeronaves fabricadas no Canadá" até que os aviões Gulfstream fossem certificados.

"Se, por qualquer motivo, essa situação não for corrigida imediatamente, vou impor ao Canadá uma tarifa de 50% sobre todas as aeronaves vendidas para os Estados Unidos da América", disse Trump em uma publicação no Truth Social.

Essa ameaça, se concretizada, teria um impacto drástico em companhias aéreas americanas como a American Airlines AAL.O e a Delta Air Lines DAL.N, que dependem de aviões fabricados no Canadá para muitos de seus serviços regionais.

Isso também gerou confusão entre compradores e operadores de jatos particulares nos Estados Unidos, o maior mercado mundial de aviação executiva.

A advogada Amanda Applegate, do escritório Soar Aviation Law, especialista em direito da aviação executiva nos EUA, afirmou na sexta-feira que a publicação gerou consultas de clientes que possuem ou desejam comprar aeronaves da Bombardier.

ARMA POLÍTICA

A Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais afirmou que a descertificação de aeronaves é perigosa e pode resultar em perda de empregos nos EUA, onde a Bombardier tem 3.000 funcionários.

"A certificação de aeronaves existe para garantir a segurança, não para servir como arma política ou econômica", afirmou a IAM.

A provedora de dados Cirium afirmou que existem 150 aeronaves Global Express em serviço registradas nos EUA, operadas por 115 empresas, e um total de 5.425 aeronaves de diversos tipos fabricadas no Canadá em serviço registradas nos EUA, incluindo jatos de corredor único, jatos regionais e helicópteros.

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