
Por Manya Saini
30 Jan (Reuters) - A American Express AXP.N previu na sexta-feira um lucro anual amplamente acima das expectativas de Wall Street, destacando a resiliência dos gastos de seus clientes jovens e abastados, mas um lucro ligeiramente abaixo do esperado para o trimestre de festas de fim de ano pressionou suas ações.
Os resultados destacaram padrões de gastos divergentes, com muitos consumidores norte-americanos reduzindo seus gastos devido ao peso dos elevados custos de empréstimo e da inflação ainda alta, enquanto as famílias de renda mais alta continuaram a gastar com viagens, restaurantes e artigos de luxo.
"Não estamos prevendo nenhuma descontinuidade", disse Christophe Le Caillec, diretor financeiro da AmEx, à Reuters. "Os gastos que a Geração Z e os millennials fazem com seus cartões American Express agora são maiores do que os da Geração X", afirmou.
Le Caillec afirmou que essa foi uma novidade para o negócio de consumo nos EUA e refletiu os esforços de longa data da empresa para construir uma base de clientes mais jovem e de alto padrão.
A empresa prevê lucros por ação para 2026 entre US$ 17,30 e US$ 17,90. O ponto médio dessa faixa está acima da projeção média dos analistas, de US$ 17,41 por ação, segundo estimativas compiladas pela LSEG.
O lucro da AmEx foi de US$ 3,53 por ação nos três meses encerrados em 31 de dezembro, um pouco abaixo das estimativas de US$ 3,54. Analistas do Citigroup atribuíram a pequena diferença ao aumento das despesas, que subiram 10%, para US$ 14,5 bilhões, nos últimos três meses de 2025.
As ações da empresa caíram cerca de 2% nas negociações da manhã, em um mercado mais fraco.
"Se existe algum problema, talvez seja o fato de o quarto trimestre mostrar claramente o custo da atualização Platinum, mas não apresentar um aumento correspondente em novas contas", escreveram os analistas da Truist em uma nota.
No ano passado, a AmEx apresentou (link) atualizações muito aguardadas para seus cartões Platinum nos EUA, com novos benefícios.
As ações da gigante dos cartões de crédito subiram 24,7% em 2025, superando as rivais Visa VN (11%) e Mastercard MA.N (8,4%).
Os gastos se mantêm estáveis.
O volume de negócios faturados, uma medida dos gastos com cartões AmEx, aumentou 9%, atingindo US$ 445,1 bilhões no quarto trimestre.
Le Caillec destacou uma forte temporada de compras de fim de ano, impulsionada pelo crescimento nos setores de restaurantes, viagens, varejo e luxo.
A receita aumentou 10%, para US$ 18,98 bilhões, superando as expectativas de US$ 18,92 bilhões. A empresa prevê um crescimento da receita para 2026 entre 9% e 10%, em comparação com a expectativa de cerca de 9%.
A atenção dos investidores está voltada para como a AmEx lidará com um possível limite de um ano. (link) sobre as taxas de juros de 10% propostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para lidar com as preocupações relativas à acessibilidade dos cartões de crédito.
"Concordamos com a importância da acessibilidade, assim como todos os outros, só não achamos que o limite proposto atingiria esse objetivo", disse Le Caillec.