
Por Stephen Nellis
29 Jan (Reuters) - A Apple AAPL.O superou as estimativas de Wall Street para a receita trimestral na quinta-feira, impulsionada pela forte demanda por seus iPhones e por uma forte recuperação na China. O presidente-executivo Tim Cook disse à Reuters que a demanda pelos aparelhos mais recentes foi "impressionante".
A linha iPhone 17 da Apple ajudou a impulsionar as vendas em mercados-chave, aliviando as preocupações dos investidores sobre uma possível estagnação nas vendas de hardware. Os dispositivos foram bem recebidos por seus recursos de câmera aprimorados e melhorias de desempenho, e a Apple também se beneficiou de uma onda de atualizações por parte de usuários que ainda possuíam modelos mais antigos.
A receita do iPhone subiu para US$ 85,27 bilhões no primeiro trimestre fiscal encerrado em 27 de dezembro, bem acima dos US$ 78,65 bilhões esperados pelos analistas. A Apple afirmou que as vendas do iPhone bateram recordes em todos os segmentos geográficos, evidenciando uma demanda ampla apesar da incerteza macroeconômica.
"A procura pelo iPhone foi simplesmente impressionante, com um crescimento de receita de 23% em relação ao ano anterior, atingindo o seu melhor trimestre da história", disse Cook à Reuters em entrevista.
A fabricante do iPhone registrou receita trimestral de US$ 143,8 bilhões, um aumento de 16% em relação ao ano anterior, superando a estimativa média dos analistas de US$ 138,48 bilhões, segundo a LSEG. Cook afirmou que a empresa agora possui uma base instalada de 2,5 bilhões de dispositivos.
O lucro por ação foi de US$ 2,84, superando com folga a previsão de consenso de US$ 2,67.
A Apple reportou margens brutas de 48,2% no primeiro trimestre fiscal, acima tanto de suas próprias projeções quanto das expectativas dos analistas, que eram de 47,45%, segundo dados da LSEG. O resultado sugere que o aumento dos custos de chips de memória DRAM e de commodities como o ouro ainda não se refletiu nos resultados da Apple.
Na entrevista, Cook se recusou a comentar sobre os preços da memória, dizendo que o assunto seria abordado na teleconferência trimestral da empresa com analistas.
No início deste mês, a Apple anunciou sua parceria com o Google, da Alphabet (GOOGL.O). (link), que integra os modelos de inteligência artificial Gemini ao ecossistema da Apple, como parte de um esforço mais amplo para reforçar os recursos de IA.
As vendas na Grande China aumentaram 38% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 25,53 bilhões, superando em muito a estimativa da Visible Alpha de US$ 21,32 bilhões. A Apple enfrentou pressão de concorrentes locais e fiscalização regulatória na China, mas Cook afirmou que o iPhone bateu recorde de vendas no país e que o iPhone 17 impulsionou um crescimento de dois dígitos no número de usuários que migraram de dispositivos Android.
A Apple não divulga números de vendas para a Índia, um mercado de crescimento fundamental, mas Cook disse à Reuters que a empresa registrou um crescimento de vendas de "dois dígitos", com receitas recordes para iPhones, Macs e outros produtos. Ele também afirmou que a Apple planeja abrir uma loja em Mumbai.
Uma decepção notável em relação às expectativas de Wall Street ocorreu no segmento de wearables, casa e acessórios da Apple, onde as vendas foram de US$ 11,49 bilhões, ficando abaixo da previsão de US$ 12,04 bilhões. No ano passado, a Apple lançou um produto chamado AirPods Pro 3, capaz de traduzir entre idiomas, e Cook afirmou que a demanda pelo novo produto pegou a Apple de surpresa.
"O fornecimento dos AirPods Pro 3 foi limitado durante o trimestre, e acreditamos que teríamos crescido em relação ao ano anterior se não tivéssemos enfrentado essa limitação", disse Cook.
A receita com o Mac atingiu US$ 8,39 bilhões, ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas, que eram de US$ 8,95 bilhões.
As vendas do iPad subiram para US$ 8,6 bilhões, superando as estimativas de US$ 8,13 bilhões, impulsionadas pela demanda constante no setor educacional e pela contínua procura pelos modelos de iPad Pro de preço mais elevado.
A receita do segmento de serviços, que inclui Apple Music, iCloud e outros softwares, atingiu o recorde de US$ 30,01 bilhões, em linha com as expectativas dos analistas, que previam US$ 30,07 bilhões.