
Por Jamie McGeever
ORLANDO, Flórida, 27 Jan (Reuters) - As ações mundiais (link) e o S&P 500 (link) atingiram novas máximas na terça-feira, impulsionadas por uma série de fortes balanços corporativos nos EUA, enquanto a ansiedade em relação aos rumos da política do presidente norte-americano Donald Trump levou o ouro, considerado um porto seguro, a novos picos (link) e afundou o dólar (link) para o nível mais baixo em quatro anos.
Mais sobre isso abaixo. Na minha coluna de hoje, analiso por que as autoridades japonesas ainda podem intervir unilateralmente no mercado cambial para apoiar o iene (link), embora as chances de uma ação conjunta com os Estados Unidos (EUA) sejam provavelmente bastante remotas.
Se você tiver mais tempo para ler, aqui estão alguns artigos que recomendo para ajudar a entender o que aconteceu nos mercados hoje.
A confiança do consumidor norte-americano cai para o nível mais baixo em mais de 11 anos e meio. (link)
As "potências médias" mundiais estão reduzindo seus riscos em relação aos EUA: Mike Dolan (link)
Índia e União Europeia chegam a um acordo comercial histórico; tarifas serão reduzidas para a maioria dos produtos. (link)
No mercado: Wall Street aposta que o próximo presidente do Fed enfrentará Trump. (link)
Lucro industrial chinês aumenta em 2025, pela primeira vez em quatro anos. (link)
Principais movimentos do mercado hoje
AÇÕES: S&P 500 se aproxima de 7.000 pontos, Coreia do Sul (link) com +3% para nova máxima, Brasil também atinge novos recordes.
SETORES/AÇÕES: Nove setores do S&P 500 subiram, liderados por tecnologia e serviços públicos. Dois caíram: saúde e energia. General Motors (link) +9%, UnitedHealth Group (link) -20%.
FX: A venda massiva de dólares se intensifica. Franco suíço atinge a maior cotação em 11 anos, libra esterlina (link) em sua máxima em 4 anos, o euro ultrapassa US$ 1,20 e atinge nova máxima em 4 anos, e o iene (link) avança em direção a 152/$.
TÍTULOS: Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram 4 pontos-base no longo prazo, acentuando a inclinação da curva.
COMMODITIES/METAIS: Petróleo (link) sobe cerca de 3%, ouro e prata se recuperam, mas platina e paládio caem entre 3% e 5%.
Destaques de hoje
Dólar em queda livre...
O dólar norte-americano está sob extrema pressão, com a mais recente onda de vendas levando-o a novas mínimas de quatro anos em larga escala. Inquietos com a geopolítica, as políticas de Trump, o desejo de Washington por uma taxa de câmbio mais baixa ou preocupações com a independência do Fed, os investidores estão se desfazendo da moeda norte-americana.
Assim como no ano passado, a tendência "Sell America" está se manifestando no mercado de câmbio: as ações norte-americanas estão testando máximas históricas e os títulos do Tesouro se mantêm relativamente estáveis. Os indicadores técnicos e o momento de curto prazo não favorecem o dólar e, no longo prazo, o dólar ainda parece caro considerando a taxa de câmbio real efetiva em geral.
*... enquanto o Swissie, um refúgio seguro, alça voo
Considerando as dificuldades do dólar e com o iene japonês sofrendo com a incerteza da política interna e um mercado de títulos em queda livre, o franco suíço está fazendo jus ao seu status tradicional de moeda de refúgio.
Na terça-feira, o euro caiu para 0,9163 francos suíços. Essa é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2015, quando o Banco Nacional Suíço (SNB) abandonou seu teto cambial, fazendo o franco valorizar até 30%. Excluindo aquele dia, o franco suíço nunca esteve tão forte em relação ao euro. A moeda também está em sua maior cotação em relação ao dólar em 11 anos.
E, no entanto, as ações disparam!
Apesar das turbulências políticas, de política e comerciais que assolam os mercados de câmbio e de metais preciosos, as ações disparam rumo a novos recordes. Os fortes resultados corporativos nos EUA, o crescimento sólido e a confiança no boom da inteligência artificial estão contribuindo para esse cenário.
A questão é: por quanto tempo as ações conseguirão permanecer imunes à crescente incerteza e volatilidade em outros mercados, particularmente no mercado cambial? Quedas acentuadas do dólar, especialmente se acompanhadas por vendas em massa no mercado de títulos, certamente deixarão os investidores em ações apreensivos.
O que poderá movimentar os mercados amanhã?
Inflação na Austrália (Dezembro, 4º trimestre)
Isabel Schnabel, membro do Conselho do BCE, discursa.
Brasil (link) decisão da taxa de juros
Canadá (link) decisão da taxa de juros
O Tesouro dos EUA leiloa US$ 30 bilhões em FRNs de 2 anos.
Resultados financeiros nos EUA, incluindo Microsoft, Meta, Tesla, IBM, AT&T e Starbucks.
Decisão da taxa de juros do Federal Reserve dos EUA
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As opiniões expressas são as do autor. Elas não refletem as opiniões da Reuters News, que, sob os Princípios de Confiança (link), está comprometida com a integridade, a independência e a ausência de preconceito.