
Por Scott Murdoch e Roushni Nair
27 Jan (Reuters) - A empresa chinesa Anta Sports Products 2020.HK anunciou na terça-feira que comprará uma participação de 29,06% na Puma PUMG.DE da família Pinault por 1,5 bilhão de euros (US$ 1,8 bilhão), tornando-se a maior acionista da fabricante alemã de artigos esportivos.
A empresa listada em Hong Kong pagará 35 euros por ação em dinheiro, um prêmio de 62% em relação ao preço de fechamento das ações da Puma na segunda-feira, de 21,63 euros, que subiu quase 17% na sessão.
As ações da Anta subiram 1,3% no meio do pregão de terça-feira, após terem saltado 3,4% mais cedo.
A venda da participação ocorre em um momento em que a empresa alemã busca reverter a situação após perder terreno para a Nike NKE.N e a Adidas ADSGn.DE. Ela também enfrenta a concorrência de marcas em rápido crescimento, como New Balance e Hoka.
A Reuters foi a primeira a noticiar (link) o acordo no início deste mês.
"Acreditamos que o preço das ações da Puma nos últimos meses não reflete totalmente o potencial de longo prazo da marca", disse Ding Shizhong, presidente da Anta, em um comunicado.
"Temos confiança em sua equipe de gestão e em sua transformação estratégica."
Espera-se que o acordo ajude a Puma a aumentar suas vendas no lucrativo mercado da China continental, à medida que a Anta expande sua estratégia multimarca. A aquisição também auxiliará a Anta em sua busca por se tornar uma empresa mais globalizada.
A Anta, que tem um histórico de aquisição e revitalização de marcas ocidentais de esportes e estilo de vida, afirmou que a Puma é uma empresa global que complementa suas marcas existentes e pode aumentar sua competitividade internacional.
A Anta é proprietária das marcas Fila, Jack Wolfskin, Kolon Sport e Maia Active. É também a maior acionista da Amer Sports AS.N, que inclui as marcas Salomon, Wilson, Peak Performance e Atomic.
"A sólida execução da Anta após a aquisição e o empoderamento operacional também nos deram confiança na revitalização dos negócios da Puma no futuro", disseram analistas do Citigroup em uma nota de pesquisa na terça-feira.
A Anta afirmou que buscará assentos no conselho da Puma assim que o acordo for finalizado, mas não tentará uma aquisição total da empresa.
A transação ocorre em um momento em que o grupo alemão de artigos esportivos enfrenta dificuldades (link) para reanimar as vendas e a confiança dos investidores sob a liderança de seu novo presidente-executivo, Arthur Hoeld.
A Puma vem sofrendo pressão devido à queda na demanda, e os lançamentos recentes de tênis, incluindo o Speedcat, não conseguiram gerar o impulso esperado pelos executivos. Hoeld, que assumiu o cargo no ano passado, delineou um plano de recuperação focado no fortalecimento da marca, em produtos de alta performance e no controle de custos.
Em outubro, a Puma anunciou que ofereceria menos descontos, melhoraria o marketing e reduziria sua linha de produtos, além de cortar 900 empregos como parte de uma estratégia de reestruturação.
A Reuters noticiou no início de janeiro que a Anta havia oferecido à família Pinault a compra de cerca de 29% da Puma e que já havia garantido o financiamento para a aquisição, embora as negociações tivessem estagnado na época devido à avaliação da empresa.
A Artemis, dirigida por François-Henri Pinault, presidente do grupo de luxo Kering PRTP.PA, havia descrito anteriormente sua participação na Puma como não estratégica. A família Pinault adquiriu a participação da Kering em 2018, quando o grupo se reposicionou como um player exclusivamente do mercado de luxo.
O acordo está sujeito à aprovação das autoridades antitruste, à aprovação dos acionistas da Anta e às aprovações regulatórias na China e em outras jurisdições. A Anta afirmou que espera convocar uma assembleia geral extraordinária, com a conclusão prevista para depois do cumprimento das condições.
(1 dólar = 0,8421 euros)