
26 Jan (Reuters) - Tome um comprimido para enjoo, porque o turbilhão vai continuar esta semana. Teremos a primeira reunião acirrada do Federal Reserve do ano, relações EUA-Europa em situação delicada e nervosismo no Japão.
Apple, Microsoft, Meta, Tesla e Samsung divulgam seus resultados financeiros e há uma enxurrada de decisões sobre taxas de juros em mercados emergentes.
Aqui está tudo o que você precisa saber sobre o que vai movimentar os mercados, por Marc Jones e Amanda Cooper em Londres, Lewis Krauskopf em Nova York e Gregor Stuart Hunter em Cingapura.
1/ZONA DE ATERRISSAGEM SEGURA?
Com o presidente dos EUA, Donald Trump, Europa e Otan recuando da sua tensa situação na Groenlândia, os mercados – com a notável exceção dos investidores em ouro e das empresas de armamento – esperam que as tensões continuem a diminuir.
Para isso, eles vão querer ver detalhes mais concretos sobre o "acordo-quadro" (link) que as partes firmaram, e para que a crise se mantenha em segurança fora do feed de mídia social de Trump.
Isso poderia ajudar a impulsionar os mercados de ações mundiais (link) de volta aos níveis recordes e a conter a corrida aparentemente imparável do ouro (link) , que agora ultrapassou US$ 5.000 (link) a onça, embora, considerando a forma como este ano começou, isso possa abrir caminho para mais um ponto de tensão geopolítica.
2/LUTE CONTRA O FED
O Federal Reserve realiza sua mais recente reunião para definir as taxas de juros e, com Jerome Powell e sua equipe amplamente esperados para manter as taxas estáveis (link) na quarta-feira, a atenção estará voltada principalmente para as ameaças à tão prezada independência do banco central dos EUA.
Os investidores continuarão atentos a sinais que indiquem possíveis oscilações nas taxas de juros, é claro, mas esta será a primeira coletiva de imprensa de Powell no Fed desde as revelações deste mês de que o governo Trump havia iniciado uma investigação (link) em sua reforma multimilionária da sede do Fed.
Powell criticou duramente a medida, classificando-a como um "pretexto" para tentar obter mais influência sobre as taxas de juros. A medida também se soma a outros dois pontos-chave na disputa pela independência: o caso da Suprema Corte dos EUA sobre a tentativa de Trump de demitir a governadora Lisa Cook (link) e sua decisão ainda a ser anunciada (link) sobre quem substituirá Powell como presidente do Fed em maio.
3/QUÃO MAGNÍFICO?
Quatro das sete gigantes da tecnologia americanas, conhecidas como as "Sete Magníficas", divulgarão seus resultados financeiros esta semana - Microsoft MSFT.O, Apple (link) AAPL.O, controladora do Facebook Meta META.O, Tesla de Elon Musk TSLA.O - assim como a sul-coreana Samsung 005930.KS.
Para muitos, a questão crucial será até que ponto seus gastos maciços – financiados cada vez mais por dívidas em alguns casos – na corrida armamentista global da IA estão dando resultado.
Não basta mais apenas superar as previsões. As empresas precisam ir muito além das expectativas e oferecer projeções tão otimistas que convençam os investidores de suas avaliações estratosféricas.
Deixando de lado as turbulências geopolíticas das últimas semanas, são os bolsos (link) do mercado além da IA que estão apresentando o melhor desempenho no momento. As Sete Magníficas podem descobrir que os acionistas que se acostumaram com resultados extraordinários desejam ainda mais magnificência.
4/NERVES NO JAPÃO
A campanha eleitoral no Japão está se intensificando antes das eleições antecipadas de 8 de fevereiro, convocadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi em uma tentativa de consolidar seu poder (link) sobre o Partido Liberal Democrático, que está no poder.
As promessas de Takaichi de aumentar os gastos e suspender o imposto sobre vendas de alimentos no país por dois anos têm afetado negativamente o iene (link) e títulos do governo japonês, a tal ponto que a Ministra das Finanças, Satsuki Katayama, teve que pedir calma na semana passada e o Banco do Japão deu alguns indícios de aumento da taxa de juros (link).
Analistas temem que o iene tenha se desvinculado de sua âncora tradicional — a diferença entre as taxas de juros de longo prazo do Japão e dos EUA — e que isso, aliado ao comportamento errático do mercado de títulos (link), demonstra que os investidores estão agora preocupados com a relação dívida/PIB do país, que é de 221%.
5/SEGURE-SE FIRMEMENTE
Existe uma grande variedade de bancos centrais de mercados emergentes em reunião (link) e, embora não haja muitos movimentos imediatos, haverá muitos sinais para analisar à medida que a sequência de vitórias (link) para moedas, dívidas e ações de mercados emergentes prossegue.
O Brasil, uma grande economia, deve manter suas taxas inalteradas em 15% novamente, mas pode sinalizar um possível corte. Espera-se que o Chile siga uma tendência semelhante, com taxas de 4,5%. A Hungria deve manter a taxa em 6,5%, à medida que suas eleições cruciais se aproximam. A África do Sul deve permanecer com a taxa em 6,75% devido à alta inflação da eletricidade, embora um corte não esteja completamente descartado.
Nem tudo ficará estável, porém. A Colômbia deverá reduzir suas taxas de juros entre 0,25 e 0,5 ponto percentual, apesar dos recentes aumentos salariais, e Gana deverá cortar a sua em 300 pontos-base, após sua moeda, o cedi, ter começado a oscilar depois de sua forte valorização atrelada ao ouro no último ano.