
Por Susanna Twidale e Simon Jessop
LONDRES, 15 Jan (Reuters) - A Microsoft MSFT.O fez um acordo com a Indigo Carbon para comprar um recorde de 2,85 milhões de créditos de carbono no solo ligados à agricultura regenerativa nos Estados Unidos, já que a gigante da tecnologia pretende se tornar negativa em carbono até 2030, apesar do aumento das emissões ligadas à inteligência artificial.
Embora a Microsoft - a maior compradora de créditos de remoção de carbono do mundo - não tenha divulgado o custo do acordo de 12 anos, uma pessoa com conhecimento do negócio disse que ele está dentro da faixa histórica de US$60 a US$80 por tonelada para os créditos da Indigo Carbon, o que avaliaria o negócio entre US$171 milhões e US$228 milhões.
A agricultura regenerativa abrange uma série de ações, como uso de culturas de cobertura e permissão para o gado pastar para melhorar a capacidade do solo de capturar emissões de carbono prejudiciais ao clima e reter água.
A empresa de dados de mercado Sylvera disse que observou um aumento na demanda por esses créditos no ano passado, incluindo um acordo da Microsoft para 2,6 milhões de créditos da Agoro Carbon, que anteriormente detinha o recorde de maior transação do tipo.
"Isso está trazendo a importância da remoção de carbono do solo para a ação climática corporativa e, na verdade, para a Indigo, solidificando nossa reputação e liderança em créditos de carbono de alta integridade", disse Meredith Reisfield, diretora sênior de políticas, parcerias e impacto da Indigo, à Reuters em uma entrevista.
Os agricultores também se beneficiam financeiramente, recebendo 75% do custo médio ponderado de um crédito de qualquer emissão ou ano-safra, acrescentou ela.
"A Microsoft está entusiasmada com a abordagem da Indigo em relação à agricultura regenerativa, que oferece resultados mensuráveis por meio de créditos verificados e pagamentos aos produtores", disse Phillip Goodman, diretor de remoção de carbono da Microsoft, em comunicado à imprensa.
Ser negativa em carbono significa que a Microsoft planeja ter mais ações de remoção de carbono do que a quantidade de emissões globais do grupo.
No mercado voluntário de carbono, os projetos podem receber créditos para cada tonelada de dióxido de carbono que removerem da atmosfera e as empresas podem comprar esses créditos para compensar as emissões de suas operações comerciais.
A Indigo ajuda a identificar áreas onde as emissões podem ser cortadas ou removidas e, em seguida, trabalha com os agricultores para desenvolver projetos e vender os créditos.
Muitos cientistas afirmam que os projetos de remoção de carbono são essenciais para que o mundo desacelere o aquecimento global, compensando as emissões de setores, como o de geração de energia, que continuam ocorrendo via queima de combustíveis fósseis.
Céticos dizem que há preocupações mais amplas sobre a medição e a permanência dos créditos de remoção e afirmam que as tecnologias de remoção podem desviar a atenção das reduções de emissões.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
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