
Por Utkarsh Shetti e Saeed Azhar
15 Jan (Reuters) - O lucro do Goldman Sachs GS.N no quarto trimestre superou as expectativas de Wall Street na quinta-feira, beneficiando-se de um aumento nas fusões e aquisições e de receitas de negociação mais robustas em um mercado turbulento.
Os operadores de ações do banco aproveitaram a volatilidade e uma alta generalizada no mercado norte-americano, enquanto os investidores especulavam sobre a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve e as perspectivas para as empresas de inteligência artificial.
Um ambiente regulatório mais favorável sob o governo do presidente Trump, taxas de juros mais baixas e excesso de caixa também levaram as empresas a buscar mais negócios.
As taxas de serviços bancários de investimento da Goldman Sachs aumentaram 25%, para US$ 2,58 bilhões, em comparação com o ano anterior, mas ficaram ligeiramente abaixo dos US$ 2,66 bilhões esperados pelos analistas.
As ações da gigante de Wall Street, que subiram mais de 50% em 2025, caíram quase 2% nas negociações pré-mercado.
"As ações tiveram uma valorização expressiva e já precificaram esses resultados. Os resultados atenderam a uma expectativa alta, mas não a superaram como vinham acontecendo recentemente", disse Gerard Cassidy, analista da RBC Capital Markets.
A receita com ações da Goldman Sachs atingiu o recorde de US$ 4,31 bilhões, ante US$ 3,45 bilhões no ano anterior, enquanto a receita com negociação de renda fixa, moedas e commodities subiu 12,5%, para US$ 3,11 bilhões.
MERCADO DE FUSÕES E AQUISIÇÕES FORTE
Os principais negociadores esperam que a alta nas fusões e aquisições - que atingiram níveis próximos aos recordes em 2025 - continue neste ano, impulsionada por grandes investimentos em IA que fomentam mais negócios no setor de tecnologia.
A concorrente Morgan Stanley MS.N também superou as expectativas de lucro (link) em decorrência do aumento da receita de serviços bancários de investimento na quinta-feira.
O Goldman Sachs assessorou algumas grandes fusões em 2025, incluindo a aquisição alavancada da Electronic Arts por US$ 56,5 bilhões e a aquisição da empresa de segurança em nuvem Wiz pela Alphabet por US$ 32 bilhões.
Esses acordos extraordinários ajudaram a garantir o primeiro lugar (link) mais uma vez no ranking global de fusões e aquisições em 2025, com o banco assessorando um volume total de negócios de US$ 1,48 trilhão e arrecadando US$ 4,6 bilhões em honorários.
De acordo com dados da Dealogic, o volume global de fusões e aquisições (M&A) cresceu para US$ 5,1 trilhões em 2025, um aumento de 42% em relação a 2024.
NEGÓCIO DE GESTÃO DE PATRIMÔNIO EM EXPANSÃO
O Goldman Sachs também elevou suas metas de margem antes de impostos para o negócio de gestão de ativos e patrimônio, prevendo 30% no médio prazo, em comparação com a meta anterior de cerca de 25%. A unidade registrou uma margem antes de impostos de 25% em 2025.
O banco obteve sua maior receita de todos os tempos com taxas de administração em um único trimestre, atingindo US$ 3,09 bilhões. A instituição tem se concentrado nesse segmento para obter uma renda mais estável em comparação com a volatilidade das operações de trading e banco de investimento.
No mês passado, o Goldman Sachs decidiu adquirir a Innovator Capital Management, uma gestora ativa de fundos negociados em bolsa, em um negócio de US$ 2 bilhões.
Os ativos do banco sob supervisão cresceram para US$ 3,61 trilhões, ante US$ 3,14 trilhões no ano anterior.
GRANDES IPOs PREVISTOS
O mercado de IPOs se recuperou nos últimos meses, apesar da turbulência causada pela paralisação do governo no outono, que atrasou algumas listagens.
Consultores como o Goldman Sachs competirão por uma série de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) nos EUA previstos para 2026, com empresas como SpaceX, OpenAI e Anthropic se preparando para potenciais aberturas de capital.
O Goldman Sachs foi um dos principais subscritores da oferta pública inicial (IPO) da gigante de suprimentos médicos Medline no trimestre, que foi a maior listagem global em 2025.
O lucro por ação foi de US$ 14,01, superando as expectativas dos analistas de US$ 11,67, de acordo com dados compilados pela LSEG.
DESPESAS EM FOCO
As despesas do Goldman Sachs aumentaram em 2025, em parte devido a investimentos em operações de IA e à maior remuneração com salários e bônus.
Suas despesas operacionais no trimestre aumentaram 18%, para US$ 9,72 bilhões. O número de funcionários da empresa cresceu 2% em relação a 2025.
O banco de investimento aumentou seus dividendos trimestrais para US$ 4,50 por ação no primeiro trimestre, reforçando suas expectativas de um ano sólido.
"O aumento dos dividendos é uma forte demonstração da confiança da administração em lucros sustentavelmente mais elevados da empresa", disse Stephen Biggar, analista bancário da Argus Research.
DESMONTANDO O NEGÓCIO DE CONSUMO
O banco fechou recentemente um acordo com o JPMorgan Chase para assumir (link) a parceria de seu cartão Apple (link), e esperava um aumento de 46 centavos por ação em seus resultados devido à saída.
O abandono do cartão Apple é o mais recente grande passo do Goldman Sachs para se afastar de seu problemático negócio de crédito ao consumidor. A saída ocorre em um momento em que outros bancos expressam preocupação (link) sobre a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de limitar as taxas de juros dos cartões de crédito a 10%.
Os lucros do Goldman Sachs também foram impulsionados pela liberação de US$ 2,48 bilhões de suas reservas para cobrir perdas com empréstimos do cartão. A Morningstar estimou que o banco lucraria US$ 145 milhões com a transação.