
14 Jan (Reuters) - Autoridades chinesas orientaram empresas nacionais a interromper o uso de software de cibersegurança produzido por cerca de uma dúzia de empresas dos EUA e de Israel, devido a preocupações com a segurança nacional, segundo duas pessoas a par do assunto.
À medida que as tensões comerciais e diplomáticas (link) se acirram entre a China e os EUA e ambos os lados disputam a supremacia tecnológica, Pequim tem demonstrado grande interesse em substituir a tecnologia ocidental por alternativas nacionais.
As empresas norte-americanas cujo software de cibersegurança foi banido incluem a VMware (de propriedade da Broadcom AVGO.O), a Palo Alto Networks PANW.O e a Fortinet FTNT.O, enquanto as empresas israelenses incluem a Check Point Software Technologies CHKP.O, disseram as fontes.
As ações da Broadcom e da Palo Alto Networks caíram mais de 1% nas negociações pré-mercado, enquanto as da Fortinet recuaram quase 3%.
A Reuters não conseguiu apurar quantas empresas chinesas receberam a notificação que, segundo as fontes, foi emitida nos últimos dias.
As autoridades chinesas expressaram preocupação com a possibilidade de o software coletar e transmitir informações confidenciais para o exterior, disseram as fontes. Elas pediram para não serem identificadas devido à delicadeza da situação.
A Agência Nacional de Supervisão da internet da China (Cyberspace Administration of China) e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação não responderam aos pedidos de comentários até o momento da publicação. As quatro empresas também não responderam às perguntas da Reuters.
Estão em andamento os preparativos para a visita de Trump.
Estados Unidos e a China, que têm mantido uma trégua comercial instável, estão se preparando para uma visita do presidente norte-americano Donald Trump a Pequim em abril.
Mesmo antes do retorno de Trump ao poder no início do ano passado, a política em torno dos fornecedores estrangeiros de cibersegurança já era tensa há muito tempo.
Enquanto o Ocidente e a China entraram em conflito devido aos esforços da China para desenvolver seus setores de semicondutores (link) e inteligência artificial, analistas chineses afirmaram que Pequim está cada vez mais preocupada com a possibilidade de qualquer equipamento ocidental ser invadido por potências estrangeiras.
Por isso, buscou substituir os equipamentos de informática e o software de processamento de texto ocidentais.
Os maiores fornecedores de cibersegurança do país incluem a 360 Security Technology 601360.SS e a Neusoft 600718.SS.
Algumas empresas norte-americanas e israelenses que, por sua vez, enfrentam a proibição, alegaram repetidamente operações de hackers chineses, o que a China nega.
No mês passado, a Check Point publicou um relatório sobre uma suposta operação de hackers com ligações à China contra um "escritório governamental europeu" não identificado. Em setembro, a Palo Alto Networks publicou um relatório alegando que uma ação de hackers chinesa teve como alvo diplomatas em todo o mundo.
SIGNIFICATIVA PRESENÇA CHINESA
Ao longo dos anos, essas empresas construíram uma presença significativa na China.
De acordo com o site da Fortinet, há três escritórios na China continental e um em Hong Kong. O site da Check Point lista endereços de suporte em Xangai e Hong Kong. A Broadcom lista seis localidades na China, enquanto a Palo Alto lista cinco escritórios locais na China, incluindo um em Macau.
As empresas de cibersegurança costumam ter em seu quadro de funcionários veteranos da área de inteligência, geralmente trabalham em estreita colaboração com seus respectivos órgãos de defesa nacional, e seus softwares têm amplo acesso a redes corporativas e dispositivos individuais – tudo isso, pelo menos em teoria, fornece uma base para espionagem ou sabotagem, dizem os analistas.