
12 Jan (Reuters) - Relatório do Goldman Sachs adverte que a inteligência artificial generativa poderá em breve assumir um quarto de todas as horas de trabalho nos Estados Unidos, o que deve dar início a novos alertas sobre um iminente "apocalipse do emprego" e temores de que a disrupção permanente da força de trabalho possa estar mais próxima do que o esperado.
A corretora de Wall Street prevê que a adoção da IA poderá deslocar de 6% a 7% dos empregos na próxima década.
"Nossa previsão básica para um aumento de 15% na produtividade da mão de obra impulsionada pela IA e a relação histórica entre os ganhos de produtividade impulsionados pela tecnologia e a perda de empregos implica que de 6% a 7% dos empregos serão deslocados durante o período de adoção", disse Joseph Briggs, analista da Goldman Sachs.
"Os riscos são inclinados para um deslocamento maior se a IA se mostrar mais deslocadora de mão de obra do que as tecnologias anteriores."
Embora a corretora veja riscos de alta nas taxas de desemprego se a adoção da IA for mais antecipada ou resultar em mais deslocamento de mão de obra, ela continua cética quanto ao fato de que os aumentos nas taxas de desemprego sejam permanentes enquanto a mão de obra humana mantiver uma vantagem competitiva em determinados aspectos da produção.
O relatório é significativo, pois as principais empresas dos EUA - inclusive as dos setores administrativo, jurídico e de informática - enfrentam uma exposição cada vez maior à automação impulsionada pela IA, com respostas de pesquisas indicando possíveis reduções no número de funcionários nos próximos um a três anos.
As empresas norte-americanas de todos os setores estão intensificando cortes de pessoal, ampliando uma tendência de redução da força de trabalho a partir de 2024, à medida que priorizam a economia de custos e simplificam operações em meio a um ambiente econômico desafiador.
O Goldman Sachs observou que "o investimento em infraestrutura de IA já está impulsionando o emprego", citando o crescimento de vagas para eletricistas, instaladores de equipamentos de condicionamento de ar, empreiteiros de edifícios comerciais e trabalhadores de construção de infraestrutura pública desde o final de 2022.
Apesar das preocupações, a corretora continua otimista com relação à criação de novos empregos. "Apenas 40% dos trabalhadores de hoje estão empregados em ocupações que existiam há 85 anos, o que sugere que a IA criará novas funções, mesmo que torne outras obsoletas", acrescentou Briggs.
(Por Akriti Shah)
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
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