
Por Akash Sriram
2 Jan (Reuters) - A Tesla TSLA.O cedeu sua coroa de maior fabricante mundial de veículos elétricos para a chinesa BYD 002594.SZ, após as vendas anuais caírem pelo segundo ano consecutivo, afetadas pelo aumento da concorrência, pelo fim dos incentivos fiscais nos EUA e pela reação negativa à marca.
Com as vendas globais de veículos elétricos subindo 28% no ano passado, a BYD superou a Tesla em vendas (link) pela primeira vez em uma base anual, impulsionada pelo rápido crescimento na Europa, onde a montadora chinesa vem ampliando sua vantagem sobre a rival norte-americana.
A Tesla, cujas vendas caíram cerca de 8,6% em 2025, enfrenta forte concorrência, principalmente na Europa, o que levanta dúvidas sobre sua capacidade de revitalizar o negócio principal de automóveis, enquanto o presidente-executivo Elon Musk direciona a empresa para robôs-táxi e robôs humanoides.
As ações da empresa caíram cerca de 2% no pregão da tarde.
"Os investidores estão tão focados no futuro da Tesla que estão ignorando os números de entregas. O foco está no Optimus, no táxi-robô e na inteligência artificial física", disse Dennis Dick, um operador da Triple D Trading, que possui ações da Tesla.
O FIM DO CRÉDITO FISCAL NOS EUA PREJUDICA A TESLA
Os números do quarto trimestre da Tesla surgem após as entregas do terceiro trimestre terem sido impulsionadas pela corrida para garantir US$ 7.500 em créditos fiscais federais, depois que o governo do presidente Donald Trump decidiu acabar com o incentivo em setembro.
Nos EUA, os veículos elétricos representaram 6,2% das vendas de veículos no varejo no trimestre, uma queda de 3,6 pontos percentuais em relação ao ano anterior, enquanto os preços médios de transação subiram quase US$ 6.000, chegando a US$ 53.300, de acordo com dados da J.D. Power.
A Tesla informou ter entregue 418.227 veículos no trimestre de outubro a dezembro, uma queda de 15,6% em relação aos 495.570 entregues no mesmo período do ano anterior. Analistas da Visible Alpha previam 434.487 veículos, ou uma queda de 12,3%.
No ano completo, a Tesla entregou 1,64 milhão de veículos, em comparação com 1,79 milhão em 2024. Analistas consultados pela Visible Alpha previam entregas de cerca de 1,65 milhão de veículos.
A queda nas entregas não foi uma grande surpresa, visto que o mercado já havia precificado uma demanda mais fraca após o fim dos créditos fiscais para veículos elétricos nos EUA, disse Seth Goldstein, analista sênior de pesquisa de ações da Morningstar.
Enquanto isso, a Tesla informou que implantou 14,2 GWh em produtos de armazenamento de energia, um recorde histórico. A empresa divulgará seus resultados do quarto trimestre em 28 de janeiro.
INTENSIFICAÇÃO DA COMPETIÇÃO NA AMÉRICA DO NORTE E NA EUROPA
A crescente concorrência de montadoras chinesas e europeias, como BYD, Volkswagen VOWG.DE e BMW BMWG.DE, tem afetado o ritmo de vendas da Tesla.
Os registros da Tesla diminuíram (link) em grande parte da Europa em dezembro, mas dispararam na Noruega, onde as vendas recordes contrastaram com a redução da participação de mercado no restante da região em 2025.
A BYD informou que as vendas fora da China atingiram o recorde de 1 milhão de veículos em 2025, um aumento de cerca de 150% em relação a 2024. A empresa afirmou que pretende vender até 1,6 milhão de veículos fora da China em 2026, embora não tenha divulgado uma meta de vendas total.
Em outubro, a Tesla lançou versões "Standard" mais básicas do Model Y e do Model 3, com preços cerca de US$ 5.000 abaixo dos modelos básicos anteriores, numa tentativa de manter o volume de vendas após a perda do crédito fiscal e atrair clientes na Europa que buscam opções mais baratas.
A medida decepcionou alguns investidores que esperavam um corte de preços maior ou um produto novo e significativo para o mercado de massa.
Mesmo com a queda nas entregas de veículos, as ações da Tesla subiram cerca de 11,4% em 2025, aumentando a fortuna de Musk.