
Por Siddharth Cavale
26 Dez (Reuters) - A gestora de investimentos ativista Toms Capital Investment Management (TCIM) fez um investimento significativo na Target TGT.N, noticiou o Financial Times na sexta-feira, intensificando a pressão sobre a varejista em dificuldades após anos de desempenho inferior em comparação com seus concorrentes.
O tamanho da participação não foi divulgado e o relatório não especificou quais demandas a empresa sediada em Nova York poderá apresentar.
As ações da Target subiram 2,6% com a notícia. Suas ações perderam mais de 28% do valor este ano, depois que a rede sediada em Minneapolis registrou três trimestres consecutivos de queda nas vendas comparáveis (link). Em agosto, a varejista nomeou (link) o veterano executivo da empresa Michael Fiddelke para reativar o crescimento, em um momento em que os negócios enfrentam pressão devido a orçamentos familiares apertados e incertezas tarifárias.
"Mantemos um diálogo regular com a comunidade de investidores. A principal prioridade da Target é retomar o crescimento", afirmou a Target em comunicado à Reuters na sexta-feira. A TCIM não respondeu aos pedidos de comentários.
O fundo de hedge TCIM é uma entidade relativamente desconhecida no setor varejista, mas recentemente ganhou destaque após adquirir uma participação na Kenvue, fabricante do Tylenol, antes de sua venda (link) para a Kimberly-Clark KMB.N no mês passado por US$ 40 bilhões. Também pressionou por mudanças na fabricante de Pringles, Kellanova, e na US Steel.
Para Fiddelke, a participação ativista representa seu primeiro grande teste antes de assumir o cargo de presidente-executivo em fevereiro. Sua nomeação já gerou preocupações entre os investidores, visto que ele continuará se reportando ao atual presidente-executivo, Brian Cornell, que deverá se tornar presidente executivo do conselho. Essa estrutura tem sido alvo de críticas, com o grupo ativista de acionistas sem fins lucrativos The Accountability Board apresentando uma proposta em outubro, na qual insta a Target a nomear um presidente independente.
"Para nós, esta (participação da TCIM) indica que os investidores estão ávidos por mudanças e significa que nossa proposta de acionistas provavelmente tem uma chance ainda maior de ser aprovada", disse Matt Prescott, presidente do Accountability Board, que detém ações da Target.
Para ajudar a acalmar as preocupações dos investidores e revitalizar seus negócios, a Target anunciou planos para investir mais US$ 1 bilhão em 2026 na abertura de novas lojas e na reforma das existentes. A empresa, que opera quase 2.000 lojas, também cortou (link) 1.800 funções corporativas como parte de uma reestruturação mais ampla.
A iniciativa da TCIM não será o primeiro encontro da Target com um investidor ativista. Em 2009, a empresa travou uma disputa acirrada por procuração com Bill Ackman, da Pershing Square, que buscava assentos no conselho para aprovar uma cisão imobiliária em meio à queda nos lucros.
Apesar da participação considerável de Ackman, os acionistas rejeitaram (link) seu plano e apoiaram os membros atuais da Target. A Pershing Square não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Segundo análise feita por Michael Lasser, analista da UBS, antes da divulgação dos resultados da Target em novembro, a Target detém cerca de 75% de seus imóveis, incluindo o terreno.
Neil Saunders, diretor-geral da empresa de pesquisa de varejo GlobalData, afirmou que uma venda semelhante de imóveis no cenário atual traria apenas ganhos de curto prazo. O que a Target precisa, argumentou ele, é de uma reformulação de seus produtos, lojas, preços e métodos de venda.
"Isso só pode ser alcançado focando nos fundamentos do varejo. Jogos financeiros e monetização não levam a Target na direção certa e podem acabar sendo uma distração e um incômodo para a administração", escreveu ele em um email.