
Por Bhanvi Satija e Sriparna Roy
24 Dez (Reuters) - A Sanofi SASY.PA anunciou na quarta-feira que comprará a empresa de biotecnologia norte-americana Dynavax Technologies DVAX.O por cerca de US$ 2,2 bilhões (1,9 bilhão de euros) em um acordo firmado que adicionará uma vacina contra hepatite B para adultos e uma promissora vacina experimental contra herpes-zóster ao seu portfólio.
A aquisição ajudará a farmacêutica francesa a diversificar seus negócios de vacinas em um momento em que o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., (link) está reformulando as políticas para imunização infantil, dizem analistas do setor.
O governo Trump revogou uma recomendação universal de longa data para a vacinação contra hepatite B em bebês, o que gerou protestos da comunidade médica (link) e está considerando outras mudanças para 2026 (link).
As ações da Dynavax dispararam quase 39%, para US$ 15,45, durante o pregão nos EUA, após a notícia do acordo. Já as ações da Sanofi recuaram 0,7%.
BUSCANDO NOVOS FATORES DE CRESCIMENTO DE RECEITA
"Acreditamos que a aquisição faz sentido, considerando as crescentes preocupações regulatórias em torno das vacinas", disse Matt Phipps, analista da William Blair.
"A Sanofi é uma parceira lógica para a Dynavax em termos de aquisição, visto que a empresa possui ampla capacidade de produção de vacinas, mas seu portfólio não inclui um programa para hepatite B em adultos ou para herpes-zóster."
A Sanofi tem buscado novos produtos para impulsionar o crescimento da receita após a expiração da patente de seu medicamento de sucesso para asma, Dupixent, em 2031. A empresa adquiriu a desenvolvedora privada britânica de vacinas Vicebio (link) por US$ 1,5 bilhão em julho, após finalizar um acordo de até US$ 9,5 bilhões para a aquisição da Blueprint Medicines. (link).
A empresa pagará US$ 15,50 por ação da Dynavax, o que representa um prêmio de 39% sobre o preço de fechamento das ações da fabricante de vacinas na terça-feira, de US$ 11,13. Phipps afirmou que esse valor está abaixo de sua estimativa de US$ 2,6 bilhões para a vacina contra hepatite B da empresa de biotecnologia norte-americana.
A Sanofi financiará o negócio utilizando recursos disponíveis e espera concluir a aquisição no primeiro trimestre de 2026. A empresa acrescentou que o negócio não afetará suas projeções financeiras para 2025.
Fabricantes de vacinas sob pressão
No início deste ano, a Sanofi (link) e a rival britânica GSK (link) GSK.L observou pressão no mercado de vacinas contra a gripe nos EUA, enquanto a empresa australiana de biotecnologia CSL CSL.AX adiou os planos de separar sua divisão de vacinas, citando "volatilidade acentuada" e uma queda maior do que a esperada nas taxas de imunização nos EUA.
A vacina Heplisav-B da Dynavax é administrada a pessoas com 18 anos ou mais para ajudar a prevenir a infecção pelo vírus da hepatite B. Ela é administrada em duas doses, com um intervalo de um mês entre elas, diferentemente de outras vacinas que são administradas em três doses ao longo de seis meses.
A injeção gerou US$ 90 milhões em vendas no terceiro trimestre de 2025. Analistas preveem um pico de vendas anuais de US$ 609 milhões nos EUA.
O acordo também adicionará uma vacina experimental contra herpes-zóster aos produtos existentes da Sanofi, que incluem vacinas contra gripe e poliomielite, bem como a terapia com anticorpos Beyfortus para o vírus sincicial respiratório.
Analistas do JP Morgan afirmaram que a vacina experimental da Dynavax, a Z-1018, pode impulsionar as receitas da Sanofi para além de 2030, caso os dados iniciais sobre sua segurança e eficácia sejam replicados em ensaios clínicos de maior escala.
Os analistas acrescentaram que a empresa poderá conquistar uma fatia do mercado de herpes zoster, onde o Shingrix, produto mais vendido da GSK, está a caminho de gerar vendas de 4 bilhões de euros este ano.
Em agosto, a Dynavax afirmou que sua vacina experimental gerou uma resposta imunológica semelhante à da Shingrix, enquanto apresentava um perfil de segurança melhor, em um estudo com 92 pessoas com idades entre 50 e 69 anos.
FDA REJEITA MEDICAMENTO PARA ESCLEROSE MÚLTIPLA
Em comunicado separado, a Sanofi informou que a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) recusou a aprovação de seu medicamento experimental tolebrutinibe, destinado a retardar a progressão da incapacidade em pacientes com uma forma de esclerose múltipla.
Houman Ashrafian, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Sanofi, disse que a notícia foi uma surpresa para a empresa, que havia sido informada anteriormente de que o processo de revisão da FDA continuaria até o primeiro trimestre de 2026.
"A decisão da FDA de hoje representa uma mudança significativa e importante em relação ao feedback que a agência havia fornecido anteriormente à Sanofi. Estamos muito decepcionados com a ação da FDA", disse Ashrafian em um comunicado à imprensa.
A decisão soma-se a um ano de dados decepcionantes sobre os medicamentos experimentais da Sanofi para eczema e pneumonite de hipersensibilidade. As ações da Sanofi, em geral, tiveram um desempenho inferior ao do índice setorial europeu.
(1 euro = $1,1789)