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PANORAMA 2-Dólar cai abaixo dos R$5,55 após Bolsonaro cancelar entrevista; Ibovespa sobe mais de 1%

Reuters23 de dez de 2025 às 16:36

Por Fabricio de Castro

- O cancelamento da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro ao site Metrópoles, por questões de saúde, trouxe alívio para o mercado brasileiro nesta terça-feira, o que se traduziu na queda do dólar para abaixo dos R$5,55 e na perda de força das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

A entrevista seria a primeira desde a condenação de Bolsonaro e desde que o ex-presidente indicou seu filho Flávio, senador pelo PL, como candidato à Presidência em 2026.

Havia a expectativa, entre os agentes, de que Bolsonaro reafirmasse a candidatura de Flávio, enfraquecendo ainda mais o nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o preferido do mercado.

Na bolsa, o Ibovespa também tinha alta firme nesta tarde, superior a 1% e acima dos 160 mil pontos, ainda que em Nova York os principais índices de ações mostrem certa acomodação.

Veja como estavam os principais mercados financeiros por volta das 13h20 desta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar perdeu força e passou a recuar ante o real nesta terça-feira após a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, cancelou uma entrevista prevista para o início da tarde por questões de saúde.

A entrevista, que seria dada ao site Metrópoles, seria a primeira desde a condenação de Bolsonaro e desde que o ex-presidente indicou seu filho Flávio, senador pelo PL, como candidato à Presidência em 2026.

Nas últimas semanas, a candidatura de Flávio vinha impulsionando o dólar, em meio à leitura no mercado de que ele seria menos competitivo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma eventual disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim, o cancelamento da entrevista -- vista como um potencial evento de confirmação do nome de Flávio -- trouxe algum alívio para as cotações do dólar no Brasil, que oscilava abaixo dos R$5,50 neste início de tarde.

A perda de força ocorreu a despeito de o Banco Central não ter negociado toda a oferta de dólares nas operações de linha (venda de moeda com compromisso de recompra) do meio da manhã. O BC vendeu apenas US$500 milhões de um total de US$2 bilhões ofertados em dois leilões de linha simultâneos.

Os leilões buscam atender à maior demanda por moeda neste fim de ano, quando empresas tradicionalmente enviam recursos ao exterior para pagamento de dividendos.

Este ano, especificamente, os envios estão sendo potencializados por multinacionais que buscam se antecipar ao fim, em janeiro de 2026, da isenção de imposto de renda sobre as remessas ao exterior, que passarão a ser taxadas em 10%, e ao início da taxação de 10% sobre valores recebidos acima de R$50 mil por mês em dividendos.

Na segunda-feira o dólar à vista encerrou a sessão com alta firme, de 0,97%, a R$5,5844, com profissionais citando justamente as tradicionais remessas de fundos e empresas ao exterior para justificar o movimento.

Mais cedo nesta terça-feira, os dados de dezembro do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, mostraram alta de 0,25% este mês, levemente inferior à taxa de 0,27% projetada por economistas em pesquisa da Reuters. Em novembro, o indicador havia avançado 0,20%.

No exterior, às 12h50 o índice do dólar =USD -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- estava em queda.

. Dólar/Real BRBY: -0,72%, a R$5,5440 na venda;

. Euro/Dólar EUR=: +0,16%, a US$1,1778;

. Dólar/Cesta de moedas .DXY: -0,19%, a 98,053.

BOVESPA

O Ibovespa operava em alta firme nesta terça-feira, enquanto os agentes avaliavam os dados de inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de dezembro, que subiram menos que o esperado, ao mesmo tempo em que monitoravam o noticiário político doméstico e a agenda econômica dos Estados Unidos.

Divulgado mais cedo, o IPCA-15 teve alta de 0,25% em dezembro, depois de subir 0,20% no mês anterior. Com isso, a taxa em 12 meses terminou o ano com avanço acumulado de 4,41%, de 4,50% em novembro, abaixo do teto da meta contínua de 3,0% medida pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

"O dado aumenta o apetite por risco, beneficiando ações ligadas a varejo e consumo. Mesmo com a liquidez reduzida de fim de ano, o otimismo macro para 2026 e o cenário externo mais construtivo sustentam o movimento da sessão", disse Isabella Hass, analista de mercado internacional da W1 Capital.

Na agenda doméstica, o cancelamento da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao site Metrópoles, programada para esta terça-feira, foi cancelada por questões de saúde.

No exterior, o destaque ficou com os dados do Produto Interno Bruto dos EUA, que aumentou a uma taxa anualizada de 4,3% no último trimestre, informou o Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio em sua estimativa inicial do PIB do terceiro trimestre nesta terça-feira. A economia cresceu a um ritmo de 3,8% no segundo trimestre. Economistas consultados pela Reuters previam avanço de 3,3%.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN PETR4.SA e PETROBRAS ON PETR3.SA oscilavam com leves baixas, em meio ao recuo do petróleo no exterior.

- VALE ON VALE3.SA oscilava perto da estabilidade, mesmo com o recuo dos futuros do minério de ferro na China.

- ITAÚ UNIBANCO PN ITUB4.SA, BRADESCO PN BBDC4.SA e BANCO DO BRASIL ON BBAS3.SA avançavam mais de 1%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT SANB11.SA mostrava ganho perto de 3%.

- MAGAZINE LUIZA ON MGLU3.SA subia mais de 3%, sendo uma das maiores altas do índice, após a companhia anunciar que seu conselho de administração aprovou aumento de capital de R$400 milhões com bonificação de ações.

- COSAN ON CSAN3.SA avançava mais de 2%. A empresa vendeu parte de participação na Rumo e acerta contrato de derivativos.

- YDUQS ON YDUQ3.SA tinha ganho de mais de 5%, após aprovar distribuição de dividendos intercalares no montante de R$150 milhões.

- AXIA ENERGIA PNB AXIA6.SA, anteriormente conhecida como Eletrobras, ganhava mais de 3%, após anunciar que seu conselho de administração aprovou novo programa de recompra envolvendo até 10% do total de ações em circulação de cada classe e espécie da companhia.

- JSL ON JSLG3.SA, que não faz parte do índice, disparava perto de 18% depois de, na véspera, anunciar a distribuição de R$122,7 milhões em juros sobre capital próprio e dividendos no montante de R$421 milhões.

. Ibovespa .BVSP: +1,34%, a 160.253,46 pontos;

. Índice dos principais ADRs brasileiros .BR20: +1,44%, a 20.255,21 pontos.

BOLSAS DOS EUA

Os principais índices de Wall Street tinham pouca alteração nesta terça-feira, dando uma pausa após três sessões de ganhos enquanto os rendimentos dos Treasuries subiam depois de dados econômicos mais fortes do que o esperado.

A economia dos Estados Unidos cresceu mais rápido do que o esperado no terceiro trimestre, impulsionada por gastos robustos dos consumidores. As primeiras estimativas mostraram que o Produto Interno Bruto aumentou a uma taxa anualizada de 4,3% no último trimestre, muito acima da previsão dos economistas de um aumento no ritmo de 3,3% de acordo com pesquisa da Reuters.

Investidores continuam esperando pelo menos dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros dos EUA no próximo ano, de acordo com dados da LSEG, atribuindo uma chance de 15% de que a primeira redução ocorra já em janeiro, ante 18% antes dos dados.

. Dow Jones .DJI: +0,15%, a 48.435,36 pontos;

. Standard & Poor's 500 .SPX: 0,23%, a 6.894,39 pontos;

. Nasdaq .IXIC: +0,251%, a 23.487,69 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

Em LONDRES, o índice Financial Times .FTSE avançou 0,31%, a 9.896,21 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX .GDAXI subiu 0,22%, a 24.337,44 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 .FCHI perdeu 0,19%, a 8.105,87 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib .FTMIB teve valorização de 0,14%, a 44.656,99 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 .IBEX registrou alta de 0,16%, a 17.186,00 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 .PSI20 desvalorizou-se 0,20%, a 8.175,02 pontos.

JUROS

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) reduziram os ganhos e se reaproximaram da estabilidade nesta sexta-feira, após o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, cancelar uma entrevista programada para o início da tarde.

Ao mesmo tempo, a curva reflete em parte o resultado do IPCA-15 de dezembro, que ficou levemente abaixo das expectativas, mas ainda revelou uma inflação de serviços pressionada no Brasil.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,25% em dezembro, levemente menos que a taxa de 0,27% projetada por economistas em pesquisa da Reuters. Em novembro, o indicador havia avançado 0,20%.

Já a taxa em 12 meses terminou o ano com avanço acumulado de 4,41%, ante 4,43% das projeções dos economistas e 4,50% em novembro. O percentual acumulado está ainda distante do centro da meta de inflação medida pelo IPCA, de 3%, mas já se enquadra no intervalo de tolerância, cujo teto é 4,5%.

Apesar dos resultados cheios abaixo das projeções, a abertura do IPCA-15 não foi tão favorável. Cálculos do banco Bmg mostram que a inflação de serviços acelerou de 0,66% em novembro para 0,70% em dezembro, sendo que a taxa dos serviços subjacentes passou de 0,40% para 0,52% no período. No caso dos serviços intensivos em mão de obra, a inflação foi de 0,62% em novembro para 0,65% em dezembro.

"O qualitativo de serviços não foi dos melhores", pontuou o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano.

A média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central acelerou de 0,28% em novembro para 0,33% em dezembro, conforme o Bmg.

Na esteira dos números, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima até o momento de 13,390% (+10 pontos-base) às 9h48, para depois perder força até a mínima de 13,285% (estável) às 12h10, quando a notícia do cancelamento da entrevista de Bolsonaro já havia sido divulgada.

A entrevista, que seria dada ao site Metrópoles, seria a primeira desde a condenção de Bolsonaro e desde que o ex-presidente indicou seu filho Flávio, senador pelo PL, como candidato à Presidência em 2026.

Nas últimas semanas, a candidatura de Flávio vinha impulsionando o dólar, em meio à leitura no mercado de que ele seria menos competitivo que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em uma eventual disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assim, o cancelamento da entrevista -- vista como um potencial evento de confirmação do nome de Flávio -- trouxe algum alívio para o mercado.

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JAN/27

DIJF27

13,865

13,843

0,022

JAN/28

DIJF28

13,32

13,288

0,032

JAN/29

DIJF29

13,38

13,356

0,024

JAN/30

DIJF30

13,545

13,529

0,016

JAN/31

DIJF31

13,66

13,651

0,009

JAN/35

DIJF35

13,74

13,738

0,002

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos US10YT=RR: rendimento em alta a 4,1745%, ante 4,171% no pregão anterior.

PETRÓLEO

. Nymex - CLc1: -0,05%, a 57,98 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent LCOc1: -0,14%, a 61,98 dólares por barril.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código PAN/SA)

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