
Por Puyaan Singh e Christy Santhosh
18 Dez (Reuters) - As ações de algumas empresas de cannabis caíram entre 3% e 12% no fechamento de quinta-feira, apagando os ganhos anteriores da sessão, após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem executiva recomendando a flexibilização das regulamentações federais sobre a maconha.
A decisão de reclassificar a cannabis como uma droga menos perigosa — o que implicaria a maior mudança na regulamentação da maconha desde 1970 — não legalizaria a cannabis, mas facilitaria o ambiente operacional para as empresas, melhorando o acesso ao capital, reduzindo a carga tributária e acelerando a pesquisa e o desenvolvimento.
Pelo menos dois analistas disseram que a expectativa de que um mandato para serviços bancários relacionados à cannabis fosse incluído na ordem — o que acabou não acontecendo — pode ter causado alguma decepção entre os investidores.
"Cada vez que houve um passo em direção à legalização — permitindo que os produtores abrissem o capital, legalização em alguns estados — houve um breve boom nas ações de cannabis, seguido por uma queda", disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B. Riley Wealth.
Por enquanto, Hogan disse que as ações de empresas de cannabis continuam sendo um investimento especulativo e "provavelmente continuarão sendo".
As ações da Tilray TLRY.O listadas nos EUA caíram 4,2%, as da Aurora Cannabis ACB.TO recuaram 3,4%, as da SNDL SNDL.O quase 1,5% e as da Canopy Growth WEED.TO caíram quase 12% no fechamento. Essas ações chegaram a subir entre 6% e 12% durante a tarde, antes de reverterem a tendência.
"A decisão de reclassificar a cannabis nos Estados Unidos representa um passo importante para a modernização da política federal sobre cannabis e para o avanço da normalização de um mercado regulamentado", disse um porta-voz da Canopy Growth à Reuters.
Segundo altos funcionários do governo, a ordem de Trump instrui seu procurador-geral a agilizar a reclassificação da maconha, um processo que pode levar a que a planta psicoativa seja listada ao lado de analgésicos comuns, cetamina e testosterona como uma droga menos perigosa.
"Considerando que o setor é fortemente voltado para o varejo, acredito que alguns investidores de varejo esperavam que a cannabis fosse reclassificada de forma imediata e unilateral pelo presidente, enquanto a ordem executiva, na verdade, orienta o Procurador-Geral a finalizar a reclassificação", disse Frederico Gomes, analista da ATB Capital Markets.
Uma reclassificação transferiria a maconha da Lista I, que inclui substâncias como heroína, ecstasy e peiote, que não têm uso médico aceito, para a Lista III, que abrange substâncias com risco moderado a baixo de dependência física ou psicológica.
Com essa medida, as empresas de cannabis não estariam mais sujeitas à Seção 280E, uma disposição da lei tributária federal dos EUA que impede empresas que lidam com substâncias controladas das Listas I e II de reivindicarem créditos e deduções fiscais para despesas comerciais.
A Agência de Combate às Drogas (DEA) precisa analisar a recomendação de incluir a maconha na Lista III da Lei de Substâncias Controladas dos EUA e decidirá sobre a reclassificação.