
Por Niket Nishant
18 Jul (Reuters) - Altos executivos da American Express AXP.N tranquilizou os investidores preocupados sobre a intensificação da competição por clientes ricos depois que gastos resilientes dos titulares de cartão ajudaram a empresa a superar as estimativas de lucro do segundo trimestre na sexta-feira.
Uma longa história no segmento premium e aquisições direcionadas nos últimos anos deram à gigante dos cartões de crédito a força necessária para fornecer ofertas mais atraentes do que seus concorrentes, disseram seus executivos.
O comentários vêm dias após o Citigroup CN revelar planos para lançar um novo cartão de crédito premium, o Citi Strata Elite, ainda neste trimestre, para aumentar seu apelo entre clientes ricos.
"Vamos lá", disse Christophe Le Caillec, diretor financeiro da AmEx, em entrevista à Reuters. "Estamos nesse segmento há décadas e construímos ativos que nossos concorrentes não têm", disse ele.
Uma concorrência mais acirrada incentivaria mais clientes a explorar opções premium. Quando o fizerem, Le Caillec disse acreditar que escolherão a AmEx.
A empresa há muito tempo adota uma estratégia focada em vantagens que proporcionam aos titulares do cartão uma sensação de exclusividade, em vez de simples cashbacks. Analistas afirmam que essa estratégia a ajudou a construir uma base de clientes fiéis, algo que os concorrentes podem ter dificuldade em replicar rapidamente.
As aquisições da Resy e da Tock nos últimos anos também diferenciaram a empresa, disse Le Caillec. As plataformas oferecem aos portadores do cartão AmEx acesso privilegiado a 27.000 restaurantes em todo o mundo.
A AmEx também lançará atualizações para seus cartões Platinum ainda este ano para consumidores e empresas nos Estados Unidos, fazendo seu "maior investimento já feito em uma atualização de cartão".
GASTOS ESTÁVEIS
Excluindo itens extraordinários, a AmEx lucrou US$ 4,08 por ação nos três meses encerrados em 30 de junho, em comparação com os US$ 3,89 por ação esperados pelos analistas, de acordo com estimativas compiladas pela LSEG.
A matéria destaca como o foco da gigante dos cartões de crédito em clientes ricos ajudou a isolá-la dos efeitos da queda da confiança do consumidor, que é mais pronunciada entre famílias de baixa renda.
"Embora a turbulência econômica possa afetar o volume de gastos, esperamos que a qualidade de crédito da empresa supere a de seus pares em qualquer ambiente", escreveu o analista Michael Miller, da Morningstar, em nota.
Os números da AmEx oferecem insights valiosos sobre tendências em evolução em torno de viagens e gastos discricionários, especialmente entre os tomadores de empréstimo com maior capacidade de crédito.
Os grandes bancos disseram no início desta semana que os consumidores continuam em boa situação financeira (link) apesar dos altos custos de empréstimos, da incerteza da política comercial e de um mercado de trabalho onde as empresas estão cada vez mais cautelosas na hora de contratar.
A receita total da AmEx aumentou 9%, para US$ 17,9 bilhões, também acima dos US$ 17,7 bilhões esperados pelos analistas.
Ainda assim, a empresa sediada em Nova York aumentou suas provisões para perdas de crédito de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,4 bilhão. A empresa também observou uma redução nos gastos com companhias aéreas em meio à incerteza econômica atual, mas afirmou que os volumes gerais permaneceriam estáveis.
"Vivemos em tempos incertos, mas o que estamos vendo agora são gastos muito consistentes", disse o presidente-executivo Stephen Squeri.
As ações da AmEx caíram 2.5 %. Até o último fechamento, elas haviam se valorizado 6,3% neste ano, abaixo do ganho de 7% do índice de referência S&P 500 .SPX.
"Incentivamos os investidores a aumentar as ações, dado o desconto de avaliação em relação ao mercado", disseram analistas da William Blair em nota.
A empresa manteve sua previsão para 2025, quando espera lucro entre US$ 15 e US$ 15,50 por ação e crescimento de receita de 8% a 10%.