
Por Stephen Culp
NOVA YORK, 18 Mar (Reuters) - Wall Street tinha queda e o ouro atingiu máximas recordes nesta terça-feira, com os ataques aéreos israelenses em Gaza reavivando o nervosismo geopolítico e com o Federal Reserve se reunindo para discutir a política monetária dos Estados Unidos em meio à crescente incerteza econômica.
No entanto, uma votação do Parlamento da Alemanha para revisar os gastos do governo fez com que as ações europeias subissem, e as ações alemãs atingiram níveis quase recordes.
Mesmo assim, todos os três principais índices de ações dos EUA caíam, com a fraqueza das megacaps relacionadas à tecnologia arrastando o Nasdaq.
Uma nova rodada de ataques com mísseis israelenses na Faixa de Gaza, matando mais de 400 pessoas, fez com que as tensões no Oriente Médio passassem de um estado de calmaria para um estado de ebulição, mesmo quando se esperava que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, discutissem os termos de um possível fim da guerra da Rússia na Ucrânia.
"Há muita turbulência no mundo, as coisas podem mudar de direção muito rapidamente", diz Peter Tuz, presidente do Chase Investment Counsel.
"Os mercados não sabem qual é a posição das tarifas; se elas estão em vigor ou não... Fiquei mais surpreso com o rali dos últimos dois dias, francamente, do que com a fraqueza de hoje."
O Federal Reserve inicia nesta terça sua reunião de política monetária de dois dias, que deve culminar com o banco central deixando sua taxa básica de juros onde está até que haja mais progresso na inflação e que os efeitos das políticas tarifárias erráticas do governo Trump sejam conhecidos.
O Dow Jones Industrial Average .DJI caía 0,56%, para 41.606,96 pontos, enquanto o S&P 500 .SPX tinha queda de 1,05%, a 5.615,40 pontos, e o Nasdaq Composite .IXIC recuava 1,82%, para 17.483,99 pontos.
As ações europeias subiam e as ações alemãs oscilaram perto de picos recordes, já que seu Parlamento aprovou um pacote de reforma da dívida para impulsionar a maior economia da Europa.
Até o momento, neste ano, as ações europeias tinham desempenho superior ao de suas contrapartes globais.
O índice FTSEurofirst 300 da Europa .FTEU3 subia 0,48%, e o indicador da MSCI de ações de todo o mundo .MIWD00000PUS tinha queda de 0,51%, para 839,18. O índice pan-europeu STOXX 600 .STOXX avançava 0,52%
Os rendimentos dos Treasuries ficavam estáveis, já que o crescente otimismo econômico ajudou a combater os temores persistentes sobre o impacto da guerra tarifária multifacetada de Trump.
O rendimento das notas de referência de 10 anos dos EUA US10YT=RR subia 0,6 pontos-base para 4,312%, enquanto a taxa do título de 30 anos US30YT=RR tinha alta de 1,8 ponto-base, para 4,617%.
O rendimento da nota de 2 anos US2YT=RR, que normalmente acompanha as expectativas da taxa de juros do Federal Reserve, caía 0,1 ponto-base, para 4,05%.
O dólar rondava a estabilidade, com o euro atingindo a máxima em cinco meses depois que a Alemanha votou a favor de sua revisão da dívida.
O índice do dólar =USD, que mede o dólar em relação a uma cesta de moedas, incluindo o iene e o euro, tinha variação positiva de 0,05%, para 103,51, com o euro EUR= caindo 0,07%, a US$1,0913.
Os preços do ouro atingiram um recorde, já que o metal se beneficiava de um aumento das tensões geopolíticas e das incertezas persistentes sobre os planos tarifários de Trump.
O ouro à vista XAU= subia 0,89%, para US$3.028,20 a onça. Os contratos futuros de ouro dos EUA GCc1 tinham alta de 0,86%, para US$3.025,80 a onça.
(Reportagem adicional de Amanda Cooper em Londres e Tom Westbrook em Cingapura)
((Tradução Redação São Paulo))
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