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MERCADOS GLOBAIS-Derrocada de ações de tecnologia com iniciativa de IA da China abala Wall Street

Reuters27 de jan de 2025 às 15:31

Por Lawrence Delevingne e Samuel Indyk

- As ações dos EUA caíam acentuadamente nesta segunda-feira, em movimento liderado por ações de tecnologia, conforme o aumento do interesse no modelo de inteligência artificial de baixo custo da startup chinesa DeepSeek levantava dúvidas sobre as elevadas valuations do setor.

A queda das ações globais provocava uma fuga generalizada para ativos seguros, como os títulos do governo dos EUA e moedas como o iene e o franco suíço.

O DeepSeek, que ultrapassou o rival ChatGPT e se tornou o aplicativo gratuito mais bem avaliado na App Store da Apple nos EUA, diz que usa chips de custo mais baixo e menos dados, desafiando uma aposta generalizada nos mercados de que a IA impulsionará a demanda em uma cadeia de suprimentos que inclui desde fabricantes de chips até data centers.

O Dow Jones Industrial Average .DJI caía 0,27%, para 44.305 pontos, o S&P 500 .SPX perdia 1,72%, para 5.996 pontos e o Nasdaq Composite .IXIC caía cerca de 3%, para 19.342 pontos.

A Nvidia NVDA.O, cujos chips são a principal escolha para alimentar aplicativos de IA, caiu quase 12% no início do pregão, enquanto seus pares do setor Broadcom AVGO.O e Marvell Technology MRVL.O caíram mais de 10% cada.

O Índice de Volatilidade CBOE .VIX, conhecido como o "medidor de medo" de Wall Street, atingiu seu nível mais alto desde 20 de dezembro, subindo 33% no dia.

Na Europa, o setor de tecnologia levou o índice pan-europeu STOXX 600 .STOXX a uma queda de 0,5%, enquanto o índice de tecnologia STOXX Europe 600 .SX8P caiu 4,5%, marcando sua maior queda em um dia desde meados de outubro.

"O catalisador de um concorrente estrangeiro para o domínio da IA liderado pelos EUA levanta outras questões sobre comércio e chips semicondutores e necessidades de energia", escreveu Robert Savage, chefe de estratégia de mercados e insights do BNY, em uma nota na segunda-feira. "Os mercados estão instáveis e a volatilidade está mais alta após os fortes retornos da semana passada."

AMPLO CLIMA DE RISCO

O declínio nos mercados acionários globais impulsionava movimentos de aversão ao risco em outras classes de ativos.

O rendimento dos títulos de 10 anos dos EUA US10YT=RR caía 8,1 pontos-base (bps) para 4,54%, empurrando o dólar para baixo. As moedas seguras eram as principais beneficiadas.

"A demanda por moedas portos-seguros se espalhou para o câmbio", disse Shaun Osborne, estrategista-chefe de câmbio do Scotiabank.

"Parte da derrapagem do dólar pode ser explicada pela queda acentuada nos rendimentos dos títulos", acrescentou Osborne.

O dólar caía 1,1% em relação ao iene JPY=EBS e 0,7% em relação ao franco suíço CHF=EBS, duas moedas que costumam ganhar durante períodos de inquietação do mercado.

O índice do dólar =USD, que mede a moeda dos EUA em relação a seis pares, caía 0,5%, atingindo seu nível mais baixo desde 18 de dezembro.

As tarifas de importação dos EUA continuam sendo um tema importante nos mercados, com o presidente Donald Trump evitando, até o momento, implementar taxas comerciais amplas.

A China, o México e o Canadá ainda estão enfrentando uma espera nervosa depois que Trump marcou, na semana passada, o dia 1º de fevereiro para a implementação de tarifas adicionais para os principais parceiros comerciais do país.

O dólar americano subia cerca de 1,5% em relação ao peso mexicano MXN=, mas pouco se alterava em relação ao seu homólogo canadense CAD=D3 e ao iuan chinês em negociações offshore CNH=D3.

O dólar também subia 1,65% em relação ao peso colombiano COP= após uma breve discussão com os EUA sobre deportações.

No domingo, Trump ameaçou a Colômbia com tarifas e sanções para puni-la por se recusar a aceitar voos militares que transportam deportados, mas a Colômbia disse mais tarde que aceitaria a aeronave militar e a ameaça de sanções dos EUA foi suspensa.

A volatilidade do mercado na segunda-feira dá início a uma semana movimentada, na qual o Federal Reserve e o Banco Central Europeu se reúnem para definir as taxas de juros.

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