
SÃO PAULO, 22 Jan (Reuters) - Estrategistas do Morgan Stanley estão convictos de sua classificação "underweight" para as ações brasileiras em um contexto de América Latina e citaram riscos crescentes de dominância fiscal e recessão de lucros, mas também avaliam que os papéis estão entre os mais baratos no mundo e com retornos que parecem convincentes.
Em relatório enviado a clientes no final da terça-feira, Nikolaj Lippmann e equipe afirmaram que, enquanto a taxa de câmbio e as ações brasileiras estão flutuando em torno do território de "bear market" (mercado com tendência de baixa), consistente com o "underweight" do banco, a economia e os lucros em moeda local estão se segurando.
Os analistas acompanharam o índice MSCI Brazil IMI (padrão mais small caps) para nomes nacionais (excluindo os setores de matérias-primas e energia) com forte lucratividade (ROE), valuations atrativas e alta liquidez e observaram que bancos e ações de serviços financeiros têm boa classificação.
Também encontraram ações de empresas de produtos de primeira necessidade com viés externo ou exposição vinculada ao que eles chamam - e defendem - de Texas Trade (petróleo e agricultura).
"Destacamos Banco do Brasil BBAS3.SA, JBS JBSS3.SA, Bradesco BBDC4.SA, Itaú ITUB4.SA, Minerva BEEF3.SA, XP XP.O, Cyrela CYRE3.SA, B3 B3SA3.SA e Nubank NU.N como empresas que estão no alto do ranking em nossa lista e que são classificadas como OW (overweight) ou EW (equal-weight) por nossos analistas", afirmaram.
De acordo com o relatório, do ponto de vista estratégico, Lippmann e equipe preferem ações de serviços financeiros em vez de papéis de consumo discricionário. Eles veem menos risco cíclico nesse espaço e avaliam que é o segmento que mais podem aumentar a exposição se perceberem que estão errados na tese sobre Brasil e quiserem reduzir o risco "underweight".
(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr.)
((paula.laier@thomsonreuters.com; X: @paulalaier;))