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EXPLICAÇÃO-Por que a Unilever está considerando separar sua divisão de alimentos?

Reuters31 de mar de 2026 às 07:56

Por Richa Naidu

- A Unilever ULVR.L afirmou na terça-feira que está em negociações avançadas (link) para combinar seu negócio de alimentos com a fabricante de especiarias McCormick MKC.N em um possível acordo que renderia US$ 15,7 bilhões em dinheiro e daria aos acionistas o controle majoritário da entidade resultante da fusão.

A possível mudança marca uma aceleração dos esforços para reformular a Unilever sob a liderança do presidente-executivo Fernando Fernandez. Mais de um presidente-executivo já tentou reorientar o portfólio da empresa, expandindo para os segmentos de cuidados pessoais e beleza, e vendendo algumas marcas de alimentos.

As ações da Unilever estão no nível mais baixo desde meados de 2024, à medida que investidores (link) e analistas se preocupam que Fernandez possa se distrair da gestão diária da Unilever com a possível separação. Além disso, questionam os benefícios de tal medida tão pouco tempo depois da longa divisão da unidade de sorvetes da Unilever.

Qual o valor da divisão de alimentos da Unilever?

O segmento de alimentos embalados da Unilever representa mais de um quarto das vendas do grupo, mas enfrenta pressão devido à mudança de paradigma em relação aos produtos ultraprocessados, à concorrência de marcas próprias e à menor demanda, em função do aumento do uso de medicamentos para emagrecimento e das mudanças nos hábitos de consumo.

Sede das marcas Knorr (caldo em pó) e Hellmann's (condimentos), a divisão apresentou uma margem operacional subjacente – que exclui o impacto das taxas de câmbio – de 22,6% da receita, superando a margem de 20% do grupo no ano anterior.

A empresa alimentícia, que também fabrica o creme Marmite, registrou um lucro operacional de 2,9 bilhões de euros (US$ 3,34 bilhões) no ano passado, o que conferiu à empresa um valor do empreendimento de aproximadamente 30 bilhões de euros, segundo estimativas do Barclays.

CRESCE MAIS LENTO EM COMPARAÇÃO COM OS DEMAIS

O segmento, o segundo maior da Unilever em vendas, depois do de cuidados pessoais, cresceu 2,5% no ano passado, mais lentamente que o restante do grupo e bem abaixo da meta de médio prazo da própria empresa.

O crescimento das vendas subjacentes na divisão de alimentos da Unilever tem ficado atrás do de outras unidades desde os picos da pandemia de Covid-19, repetidamente aquém da meta anual da empresa de crescimento de vendas entre 4% e 6%.

Analistas e investidores questionam as perspectivas de longo prazo da indústria de alimentos embalados, visto que políticos, incluindo o Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., destacaram os potenciais riscos à saúde associados a esses alimentos.

Os mercados desenvolvidos atingiram a saturação.

Parte do problema reside no fato de a empresa operar em dois contextos: mercados desenvolvidos e emergentes. O segmento de alimentos da Unilever cresce mais lentamente na América do Norte e na Europa do que em países como a Índia e partes da América Latina, onde o grupo possui forte presença no setor alimentício e os produtos de marca própria são menos sofisticados, o que significa menor concorrência.

A Unilever afirmou na terça-feira que a proposta de fusão de seu negócio de alimentos com a McCormick excluiria certos ativos, como suas operações na Índia. A empresa não forneceu mais detalhes.

"Há mais crescimento nos mercados emergentes, que representam 55% do setor alimentício da Unilever, mas ainda não é suficiente para compensar a Europa e os EUA, onde o mercado está saturado", disse anteriormente o analista do Barclays, Warren Ackerman.

Aviso legal: as informações fornecidas neste site são apenas para fins educacionais e informativos e não devem ser consideradas consultoria financeira ou de investimento.

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