Por Nidal al-Mughrabi
CAIRO, 27 Mar (Reuters) - O Hamas seria obrigado a permitir a destruição de sua vasta rede de túneis em Gaza à medida que depusesse suas armas em etapas ao longo de oito meses, de acordo com um plano de desarmamento apresentado aos militantes pelo "Conselho da Paz" do presidente dos EUA, Donald Trump.
O plano segue um cronograma que começa com um comitê de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA assumindo o controle da segurança de Gaza e termina com a retirada completa das forças israelenses após a "verificação de que Gaza está livre de armamentos".
O desarmamento do Hamas é um ponto crítico nas negociações para implementar o plano de Trump para Gaza e consolidar o cessar-fogo de outubro que interrompeu dois anos de guerra total.
Há muito tempo, o Hamas rejeita os pedidos para entregar suas armas, que se acredita terem sido transportadas e armazenadas em grande parte em túneis sob Gaza. Israel afirma que não concordará em se retirar de Gaza a menos que o Hamas seja totalmente desarmado primeiro.
Uma autoridade palestina próxima às negociações disse que o plano era "injusto", esperando que o Hamas buscasse algumas "emendas e melhorias".
A autoridade, que pediu para não ser identificada devido à sensibilidade das negociações, afirmou que o plano não oferece garantias de que Israel cumprirá suas obrigações. O plano correria o risco de provocar a retomada da guerra ao vincular a reconstrução e a melhoria das condições de vida às questões políticas, como o desarmamento, segundo a autoridade.
O texto completo do plano, que foi relatado pela primeira vez pela Al Jazeera, foi compartilhado com a Reuters por duas autoridades palestinas envolvidas nas negociações. Um representante do Hamas confirmou sua autenticidade.
O Conselho da Paz apresentou o plano ao Hamas na semana passada.
O Hamas não comentou publicamente sobre o plano; uma autoridade do Hamas disse que o grupo estava estudando-o. Na quinta-feira, três outras facções palestinas, incluindo a Jihad Islâmica, emitiram declarações criticando o plano, dizendo que ele priorizava injustamente o desarmamento em detrimento de questões como a reconstrução e a retirada israelense.
((Tradução Redação São Paulo))
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