Por Richa Naidu
LONDRES, 20 Mar (Reuters) - A Unilever ULVR.L está em negociações com a McCormick & Company MKC.N sobre a venda (link) de sua divisão de alimentos, em um possível acordo que uniria as marcas Hellmann's e Knorr da empresa britânica ao molho picante Cholula da McCormick.
Tal medida marcaria uma aceleração dos esforços para reformular a Unilever. Mais de um presidente-executivo da Unilever já tentou reorientar o portfólio da empresa, expandindo para os setores de cuidados pessoais e beleza, e vendendo algumas marcas de alimentos.
O setor alimentício voltou a ser o centro das atenções quando o Financial Times noticiou que a Unilever poderia desmembrá-lo e que havia realizado negociações de fusão (link) com a Kraft Heinz KHC.O que haviam terminado.
As ações da Unilever, que subiram no início do pregão de sexta-feira, caíram para o menor nível desde julho do ano passado, com os investidores (link) e analistas temendo que o presidente-executivo Fernando Fernandez pudesse se distrair da gestão diária da Unilever com a possível separação. E questionavam os benefícios de tal ação tão pouco tempo depois da longa divisão da unidade de sorvetes da Unilever.
Qual o valor da divisão de alimentos da Unilever?
O segmento de alimentos embalados da Unilever representa mais de um quarto das vendas do grupo, mas enfrenta pressões decorrentes da mudança de paradigma em relação aos produtos ultraprocessados, da concorrência de marcas próprias e da menor demanda, em função do aumento do uso de medicamentos para emagrecimento, que altera os hábitos de consumo.
Sede das marcas Knorr (caldo em pó) e Hellmann's (condimentos), a divisão apresentou uma margem operacional subjacente – que exclui o impacto das taxas de câmbio – de 22,6% da receita, superando a margem de 20% do grupo no ano anterior.
A empresa alimentícia, que também fabrica o creme Marmite, registrou um lucro operacional de 2,9 bilhões de euros (US$ 3,34 bilhões) no ano passado, o que conferiu à empresa um valor de mercado de aproximadamente 30 bilhões de euros, segundo estimativas do Barclays.
CRESCIMENTO MAIS LENTO EM COMPARAÇÃO COM OS DEMAIS
O segmento, o segundo maior da Unilever em vendas, depois do de cuidados pessoais, cresceu 2,5% no ano passado, mais lentamente que o restante do grupo e bem abaixo da meta de médio prazo da própria empresa.
O crescimento das vendas subjacentes na divisão de alimentos da Unilever tem ficado atrás do de outras unidades desde os picos da pandemia de Covid-19, repetidamente aquém da meta anual da empresa de crescimento de vendas entre 4% e 6%.
Analistas e investidores questionam as perspectivas de longo prazo da indústria de alimentos embalados, visto que políticos, incluindo o Secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., destacaram os potenciais riscos à saúde associados a esses alimentos.
Os mercados desenvolvidos atingiram a saturação.
Parte do problema reside no fato de a empresa operar em dois contextos: mercados desenvolvidos e emergentes. O segmento de alimentos da Unilever cresce mais lentamente na América do Norte e na Europa do que em países como a Índia e partes da América Latina, onde o grupo possui forte presença no setor alimentício e os produtos de marca própria são menos sofisticados, o que significa menor concorrência.
"Há mais crescimento nos mercados emergentes, que representam 55% do setor alimentício da Unilever, mas ainda não é suficiente para compensar a Europa e os EUA, onde o mercado está saturado", disse o analista do Barclays, Warren Ackerman.