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RPT-ANÁLISE-O fluxo de IPOs em Hong Kong deve sofrer com o escrutínio de Pequim sobre as listagens 'red chip'

Reuters18 de mar de 2026 às 23:00
  • As ofertas públicas iniciais (IPOs) de empresas de capital aberto (red chips) devem enfrentar longos atrasos devido a mudanças nas regras de domicílio.
  • O interesse estrangeiro em empresas chinesas deverá sofrer um baque.
  • Fontes dizem que os reguladores querem reforçar a supervisão de como as empresas de capital aberto utilizam os recursos obtidos com a abertura de capital.

- O aumento da fiscalização por parte de Pequim sobre os planos de empresas chinesas constituídas fora da China continental de abrirem capital em Hong Kong poderá ter um impacto significativo no vasto leque de IPOs da cidade – pelo menos a curto prazo, afirmaram banqueiros e advogados.

Fontes afirmaram que as autoridades informaram algumas das chamadas empresas 'red chip' (link) que deveriam alterar seu domicílio de volta para a China antes de abrir o capital. Essas empresas são registradas no exterior, principalmente em paraísos fiscais, mas detêm ativos e negócios na China por meio de participação acionária.

A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China confirmou que algumas empresas de capital aberto (red chips) receberam recentemente orientações para desfazer sua estrutura.

Isso significa que algumas ofertas públicas iniciais (IPOs) podem ser adiadas em pelo menos seis meses, enquanto as empresas de capital aberto se apressam para mudar seu domicílio, disseram banqueiros e outros especialistas, acrescentando que algumas podem até ter que abandonar seus planos de IPO, já que a mudança na estrutura jurídica da empresa pode ter um custo proibitivo.

INVESTIDORES ESTRANGEIROS PODEM SER DESENCORAJADOS

O interesse estrangeiro em empresas chinesas também pode ser afetado.

"Para os investidores estrangeiros, o desmantelamento das estruturas 'red chip' pode reduzir a flexibilidade em relação às participações acionárias e ao desinvestimento futuro", disse Kenny How, conselheiro da Associação de Profissionais de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong.

Isso decorre principalmente dos rígidos controles cambiais que regem a saída de capital de entidades da China continental, juntamente com os longos períodos de bloqueio de 12 meses que os investidores devem aceitar após a abertura de capital, acrescentou ele.

Após um ano excepcional para IPOs em Hong Kong em 2025, com os fundos arrecadados aumentando 231%, para US$ 37 bilhões, mais de 530 empresas apresentaram pedidos de abertura de capital, a maioria delas chinesas, segundo dados da bolsa de valores.

Não ficou claro quantas são empresas 'red chip'. Mas, no ano passado, um quinto das 131 listagens aprovadas pela China em Hong Kong envolviam participações offshore, a maioria das quais utilizava a estrutura 'red chip', de acordo com o escritório de advocacia chinês Hankun.

A abertura de capital fora da China continental, em locais como Hong Kong e os EUA, tem sido uma opção popular para empresas que buscam acessar um leque maior de capital estrangeiro e evitar regras e regulamentações complexas em seus países de origem.

Essa opção, no entanto, perdeu parte de seu atrativo depois que Pequim divulgou novas regras em março de 2023, exigindo que empresas 'red chip' e outras firmas com estruturas de holding offshore buscassem aprovação de listagem junto às autoridades da China continental.

As 'red chips' sempre foram controversas.

A mais recente ação de Pequim foi motivada pela preocupação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma com a insuficiência de supervisão sobre como essas empresas utilizavam os recursos obtidos com a abertura de capital, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto.

As pessoas envolvidas pediram para não serem identificadas devido à delicadeza do assunto. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), órgão estatal de planejamento da China, não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.

"A controvérsia em torno das estruturas 'red chip' nunca desapareceu completamente. Elas sempre foram acusadas de burlar as regulamentações da China continental e de facilitar a fuga de capitais", disse Tian Meng, advogado do escritório de advocacia Dacheng.

Com a segurança de dados e o acesso a investimentos estrangeiros se tornando questões cruciais, os órgãos reguladores querem ver estruturas corporativas mais transparentes, disse Tian.

Para investidores estrangeiros, o boom no mercado de IPOs de Hong Kong desde o ano passado proporcionou uma rota de saída para empresas de private equity e venture capital – uma rota potencialmente ameaçada pelo escrutínio de Pequim, alertaram alguns investidores. Fundos denominados em dólares normalmente investem em empresas chinesas constituídas no exterior.

Zhou Zhimin, um veterano da gestão de ativos no setor de biotecnologia, afirmou que um aperto repentino nas regras, com pouca transparência, também poderia afetar a confiança do capital em dólares.

Mas alguns analistas acreditam que o impacto a longo prazo dessa medida nas listagens de Hong Kong será limitado.

"Acredito que essa medida na China continental visa principalmente aprimorar o controle de qualidade das empresas listadas", disse Kenny Ng, estrategista de valores mobiliários da China Everbright Securities International.

"A longo prazo, isso deverá ter um efeito positivo no desenvolvimento do mercado de ações e na proteção dos interesses dos investidores."

Aviso legal: as informações fornecidas neste site são apenas para fins educacionais e informativos e não devem ser consideradas consultoria financeira ou de investimento.

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