Por Parisa Hafezi e Maayan Lubell
DUBAI/JERUSALÉM, 8 Mar (Reuters) - O Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo, sinalizando que os linha-dura continuam firmemente no comando em Teerã uma semana após o início do conflito com os Estados Unidos e Israel.
Mojtaba, um clérigo de posição intermediária com influência dentro das forças de segurança iranianas e em vastas redes de negócios sob seu pai, era visto como um dos principais candidatos na preparação para a votação pela assembleia, um órgão composto por 88 clérigos encarregado de escolher o novo líder após Ali Khamenei.
"Por votação decisiva, a Assembleia de Especialistas nomeou o aiatolá Seyyed Mojtaba Hosseini Khamenei como o terceiro Líder do sistema sagrado da República Islâmica do Irã", disse a assembleia em um comunicado divulgado pouco depois da meia-noite no horário de Teerã.
O cargo dá a Mojtaba a palavra final em todos os assuntos de Estado na República Islâmica.
A nomeação de Mojtaba provavelmente provocará a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse no domingo que Washington deveria ter voz na seleção. "Se ele não receber nossa aprovação, não vai durar muito", afirmou à ABC News. Israel, antes do anúncio, ameaçou atacar quem fosse escolhido.
O pai de Mojtaba, o líder supremo Ali Khamenei, foi morto em um dos primeiros ataques lançados contra o Irã há mais de uma semana.
Militares dos Estados Unidos informaram neste domingo que um sétimo norte-americano morreu em decorrência dos ferimentos sofridos durante o ataque de represália inicial do Irã, ocorrido há uma semana, um dia depois de Trump acompanhar o retorno aos EUA dos restos mortais dos outros seis que morreram.
Enquanto Trump pressionava por uma "rendição incondicional", Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do parlamento iraniano, disse que Teerã não buscava um cessar-fogo na guerra e puniria os agressores.
Israel disse que continuou a mirar figuras iranianas de alto escalão, incluindo Abolqasem Babaian, o recém‑nomeado chefe do gabinete militar do líder supremo, morto em um ataque no sábado.
FUMAÇA PRETA PAIRA SOBRE TEERÃ
Com os combates se intensificando no nono dia da campanha dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, uma fumaça preta espessa e sufocante pairou sobre Teerã neste domingo, segundo moradores locais, depois que ataques a instalações de armazenamento de petróleo iluminaram o céu noturno com colunas de chamas alaranjadas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que o ataque em larga escala marcou uma "nova e perigosa fase" do conflito e equivaleu a um crime de guerra.
"Ao atacar depósitos de combustíveis, os agressores estão liberando materiais perigosos e substâncias tóxicas no ar, envenenando civis, devastando o meio ambiente e colocando vidas em risco em grande escala", escreveu ele no X.
O porta-voz militar israelense, tenente-coronel Nadav Shoshani, disse a repórteres que os depósitos eram usados para abastecer o esforço de guerra do Irã, incluindo a produção ou o armazenamento de propelente para mísseis balísticos. "Eles são um alvo militar legal", disse ele.
Logo após o ataque, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que seu governo continuaria com o ataque e atacaria os governantes do Irã "sem piedade".
"Temos um plano organizado com muitas surpresas para desestabilizar o regime e permitir a mudança", disse ele em uma declaração em vídeo. "Temos muitos outros alvos."
Trump disse aos repórteres a bordo do Air Force One que não estava interessado em negociar o fim do conflito que fez os preços da energia dispararem, prejudicou negócios e paralisou viagens globais.
"Em algum momento, acho que não sobrará ninguém para dizer: 'Nós nos rendemos'", disse Trump.
DRONES IRANIANOS ATACAM ESTADOS DO GOLFO
Os governos da Arábia Saudita, Kuweit, Emirados Árabes Unidos e Barein relataram ataques de drones iranianos em seus países no sábado e no início deste domingo, com um enorme incêndio engolfando um bloco de escritórios do governo no Kuweit.
O Ministério do Interior do Kuweit disse que dois de seus oficiais foram mortos. Já os Emirados Árabes Unidos afirmaram que quatro trabalhadores migrantes haviam morrido em ataques iranianos até o momento.
Os Emirados Árabes Unidos disseram que as equipes de defesa aérea derrubaram 16 mísseis balísticos e 113 drones disparados contra o Estado do Golfo no domingo. Um míssil caiu no mar e quatro drones atingiram os territórios do país.
O Barein disse neste domingo que um ataque de drones iranianos havia causado "danos materiais" a uma usina de dessalinização, embora a autoridade de eletricidade e água do país tenha dito que o ataque não havia interrompido o abastecimento de água.
Foi a primeira vez que um país árabe disse que o Irã atacou uma instalação de dessalinização durante o conflito.
No sábado, o Irã disse que um ataque dos EUA havia atingido uma usina de dessalinização de água doce na ilha de Qeshm, interrompendo o fornecimento de água em 30 vilarejos, chamando-o de "um movimento perigoso com graves consequências".
(Reportagem dos escritórios da Reuters; Texto de John Geddie e Crispian Balmer)
((Tradução Redação São Paulo))
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