Por Maya Gebeily e Humeyra Pamuk e Alexander Cornwell
BEIRUTE/WASHINGTON/TEL AVIV, 7 Mar (Reuters) - Israel e Irã trocaram ataques conforme a guerra no Oriente Médio entrava em sua segunda semana neste sábado, e o presidente iraniano pediu desculpas aos países vizinhos em uma tentativa de acalmar a ira no Golfo, um gesto que, porém, despertou críticas de linha-dura dentro do próprio Irã.
"Pessoalmente, peço desculpas aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã", disse o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, pedindo que não se juntem aos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã.
Ele rejeitou a exigência do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a República Islâmica se renda incondicionalmente, classificando-a como "um sonho", mas disse que seu conselho de liderança temporária concordou em suspender os ataques aos países vizinhos, a menos que as ofensivas ao Irã partissem de seus territórios.
Mesmo assim, Trump classificou o pedido de desculpas do Irã como uma rendição e disse que o país seria "duramente atingido" no sábado.
Os comentários de Pezeshkian causaram uma agitação política no Irã, levando seu gabinete a reiterar que as forças armadas do Irã responderiam com firmeza aos ataques das bases dos EUA na região.
Horas depois, o presidente repetiu sua declaração nas redes sociais, mas omitiu o pedido de desculpas do discurso, que havia irritado os linha-dura, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária.
Hamid Rasai, um clérigo e parlamentar linha-dura, escreveu no X: "Sr. Pezeshkian, sua postura foi pouco profissional, fraca e inaceitável."
Um ex-comandante da Guarda Revolucionária denunciou a ideia de um pedido de desculpas em uma declaração nas redes sociais.
O chefe do judiciário, Mohseni-Ejei, um membro linha-dura do conselho de três pessoas que detém temporariamente os poderes do líder supremo, afirmou que o território de alguns países da região estava sendo usado, aberta e secretamente, para ataques contra o Irã, e que os ataques retaliatórios continuariam.
Horas após o anúncio de Pezeshkian, os Guardas Revolucionários do Irã disseram que seus drones atingiram um centro de combate aéreo dos EUA na Base Aérea de Al Dhafra, perto de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. A Reuters não conseguiu verificar esse relatório de forma independente.
As autoridades de Dubai informaram que um homem asiático morreu na área de Al Barsha, na zona oeste do país, depois que destroços de uma interceptação aérea caíram sobre um veículo.
ESTADOS DO GOLFO ATINGIDOS POR DRONES E MÍSSEIS
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã já ultrapassou as fronteiras iranianas, pois Teerã respondeu atingindo Israel e os países árabes do Golfo que abrigam instalações militares dos EUA, e Israel lançou novos ataques no Líbano depois que o Hezbollah, aliada do Irã, disparou contra a fronteira.
Os países do Golfo expressaram sua indignação pelo fato de sua infraestrutura civil -- hotéis, portos e instalações petrolíferas -- ter sido atingida, apesar de não terem participado dos ataques israelenses e norte-americanos.
Os Emirados Árabes Unidos, o Kuweit, o Catar, o Barein, Omã, a Arábia Saudita e o Iraque relataram ataques com drones ou mísseis na última semana.
"Os Emirados Árabes Unidos têm a pele grossa e a carne amarga -- não somos presas fáceis", disse o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, na sexta-feira, ao visitar os feridos nos ataques. Os comentários foram transmitidos pela Abu Dhabi TV neste sábado e foram suas primeiras declarações públicas desde os ataques iranianos contra o Golfo.
ISRAEL ADVERTE LÍBANO A CONTROLAR O HEZBOLLAH
Com a expansão do conflito, Israel advertiu o Líbano sobre um "preço muito alto" a pagar caso não controlasse o Hezbollah, enquanto bombardeava os redutos do grupo com ataques aéreos e realizava um ataque aéreo mortal no leste do país.
Na manhã de sábado, mais prédios nos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, haviam sido reduzidos a montes de escombros fumegantes, poeira e fios emaranhados, como mostraram vídeos da Reuters.
A aparente estratégia de caos máximo do Irã aumentou os custos do conflito, elevando os preços da energia, prejudicando negócios globais e vínculos logísticos e abalando a confiança na estabilidade de uma região crítica para a economia mundial.
A estatal de petróleo do Kuweit começou a reduzir a produção neste sábado, somando-se aos cortes anteriores na produção de petróleo e gás do Iraque e do Catar.
A guerra abalou os mercados globais e os preços do petróleo atingiram máximas em vários anos, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado.
Trump afirmou que a Marinha dos EUA poderia escoltar navios no Golfo. Mas a Guarda Revolucionária do Irã o desafiou a fazê-lo, com o porta-voz Alimohammad Naini declarando que o Irã "acolhe" e "aguarda" qualquer presença dos EUA no estreito, segundo a mídia estatal.
(Reportagem de Maya Gebeily em Beirute, Humeyra Pamuk em Washington, Pesha Magid em Jerusalém e Aaron McNicholas e agências da Reuters; Redação de Himani Sarkar e William Maclean)
((Tradução Redação São Paulo))
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