
Por Idrees Ali e Phil Stewart e Susan Heavey e Doina Chiacu
WASHINGTON, 4 Mar (Reuters) - O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse nesta quarta-feira que o presidente Donald Trump “riu por último” depois que militares dos EUA mataram uma autoridade iraniana que liderou uma tentativa de assassinato contra ele.
Hegseth usou uma linguagem incomumente coloquial para descrever a guerra de quatro dias contra o Irã e invocou o nome de Trump repetidamente ao afirmar que o Pentágono poderia manter as atividades pelo tempo que fosse necessário.
“Eles estão fritos e sabem disso. Ou, pelo menos, em breve saberão”, disse Hegseth sobre os líderes iranianos. “Os Estados Unidos estão vencendo – de forma decisiva, devastadora e sem piedade.”
IRANIANO ACUSADO DE SUPOSTA CONSPIRAÇÃO CONTRA TRUMP EM 2024
Hegseth, que usava gravata e lenço de bolso vermelho, branco e azul, descreveu o assassinato de um iraniano não identificado que chefiava uma unidade que tentou assassinar Trump em termos pessoais, mesmo enfatizando que o oficial não era o foco inicial da guerra.
“O Irã tentou matar o presidente Trump e o presidente Trump riu por último”, disse Hegseth aos repórteres.
Em 2024, o Departamento de Justiça dos EUA acusou um iraniano em conexão com uma suposta conspiração ordenada pela Guarda Revolucionária Iraniana para assassinar Trump, então presidente eleito dos EUA.
Teerã negou as acusações de que teria como alvo Trump e outros funcionários dos EUA.
Trump citou a suposta conspiração iraniana quando falou no domingo sobre uma operação conjunta dos EUA e Israel que matou o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, dizendo à ABC News: “Eu o peguei antes que ele me pegasse”.
Hegseth, no entanto, disse que Trump nunca mencionou o esforço para localizar o líder da conspiração como uma prioridade para o Pentágono.
“Embora isso não fosse o foco do esforço, de forma alguma — na verdade, nunca foi levantado pelo presidente ou por qualquer outra pessoa —, eu e outros garantimos que os responsáveis por isso acabassem fazendo parte da lista de alvos”, disse Hegseth aos repórteres.
ESTABELECENDO SUPERIORIDADE AÉREA
A guerra se ampliou depois que um ataque dos EUA atingiu um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz e sufocou os fluxos vitais de petróleo e gás do Oriente Médio.
Hegseth disse aos repórteres que os Estados Unidos e Israel teriam controle total do espaço aéreo iraniano em poucos dias.
O general Dan Caine, chairman do Estado-Maior Conjunto, disse na coletiva que os ataques dos EUA estavam se expandindo à medida que o país estabelecia superioridade aérea ao longo da costa sul do Irã.
"Agora começaremos a expandir para o interior, atacando progressivamente mais profundamente no território iraniano e criando liberdade de manobra adicional para as forças americanas”, disse Caine.
Ele disse que os lançamentos de mísseis balísticos do Irã em todo o teatro de operações caíram 86% desde o primeiro dia de combate e que os ataques com drones de uso único caíram 73% desde os primeiros dias. Ele disse que os ataques dos EUA estavam se expandindo à medida que os EUA estabeleciam superioridade aérea localizada ao longo da costa sul do Irã.
Trump sugeriu que o conflito com o Irã poderia durar quatro semanas. Parlamentares norte-americanos dos dois principais partidos políticos criticaram o governo Trump por não definir uma estratégia para o “dia seguinte”, que parece depender em grande parte da esperança de que o povo iraniano se levante e determine seu próprio futuro após décadas de repressão.
“Podemos sustentar essa luta facilmente pelo tempo que for necessário”, disse Hegseth, acrescentando que o único limite era o desejo de Trump de alcançar objetivos específicos.
((Tradução Redação São Paulo))
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