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Parlamentares dos EUA criticam Departamento de Estado por falta de ajuda a americanos no Oriente Médio

Reuters3 de mar de 2026 às 20:22

Por Humeyra Pamuk e Simon Lewis

- Parlamentares dos Estados Unidos criticaram nesta terça-feira o Departamento de Estado por instar norte-americanos a se retirarem do Oriente Médio três dias após o início da guerra aérea entre os EUA e Israel contra o Irã, afirmando que o aviso tardio e as interrupções generalizadas nos voos demonstraram "incompetência" e um planejamento deficiente.

Aparentemente em resposta às críticas, o secretário adjunto para Assuntos Públicos Globais, Dylan Johnson, disse nesta terça-feira que o Departamento está "garantindo ativamente aeronaves militares e voos fretados para cidadãos norte-americanos que desejam deixar o Oriente Médio", mas não informou quando esses voos devem estar disponíveis.

O departamento está em contato com quase 3.000 cidadãos norte-americanos no exterior, acrescentou Johnson, pedindo que liguem para um número de telefone para assistência.

Na segunda-feira, o departamento instou norte-americanos em 14 países do Oriente Médio a deixarem imediatamente a região usando "transporte comercial disponível", sem oferecer qualquer meio garantido pelo governo dos EUA.

A embaixada dos EUA em Jerusalém disse em um comunicado que não podia oferecer assistência aos norte-americanos que tentavam sair, embora um funcionário tenha dito posteriormente que a assistência estava sendo oferecida.

Em declarações a jornalistas na Sala Oval nesta terça-feira, o presidente Donald Trump disse que "tudo aconteceu muito rapidamente", referindo-se à guerra com o Irã, quando questionado sobre a ausência de planos para a retirada de cidadãos norte-americanos.

O senador Brian Schatz, do Havaí, principal democrata da subcomissão que supervisiona os gastos do Departamento de Estado, disse à Reuters: "O presidente Trump disse que a maior surpresa é que o Irã retaliou contra nossos ativos e parceiros, mas essa retaliação esperada foi a razão declarada pelo governo para o nosso ataque. O resultado é que os norte-americanos estão presos e em perigo".

"Os contribuintes norte-americanos são forçados a dar a Israel US$3,8 bilhões todos os anos, e aqui está nossa própria embaixada dos EUA em Jerusalém dizendo aos norte-americanos boa sorte para sair, vocês estão por conta própria", disse a ex-parlamentar republicana Marjorie Taylor Greene, que renunciou ao Congresso após uma ruptura com Trump, em um post nas redes sociais.

"A traição é inacreditável", disse Greene, que há muito defende que os EUA não se envolvam em guerras estrangeiras.

A guerra aérea entre os EUA e Israel contra o Irã, que começou no sábado, já causou ondas de choque em todo o mundo, interrompendo o fornecimento de energia e causando caos no transporte aéreo global. Durante a noite, drones iranianos atacaram a embaixada dos EUA na Arábia Saudita.

Os principais centros de aviação do Golfo, incluindo o aeroporto internacional mais movimentado do mundo, Dubai — que normalmente opera mais de 1.000 voos por dia —, permaneceram fechados pelo quarto dia consecutivo nesta terça-feira, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. Os preços das passagens dispararam.

"Alertas aos cidadãos para se retirarem três dias após o início da guerra, quando o espaço aéreo está fechado, é um sinal claro da estratégia e planejamento ZERO do governo Trump", disse o senador democrata Andy Kim em uma publicação no X.

"Agora, os norte-americanos têm opções limitadas para se retirar em um momento extremamente perigoso, sem assistência do governo. Este governo está falhando com seus cidadãos", acrescentou Kim.

Uma autoridade norte-americana havia dito na segunda-feira que o Departamento ativou uma força-tarefa interagências para gerenciar a situação e lançou um canal no WhatsApp, que, segundo ela, acumulou 15.000 integrantes. Ela não mencionou qualquer assistência do governo para a retirada dos cidadãos.

(Reportagem de Humeyra Pamuk e Simon Lewis em Washington; Reportagem adicional de Matt Spetalnick e Patricia Zengerle em Washington)

((Tradução Redação Brasília))

REUTERS MCM

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