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Ataque de Trump ao Irã testa unidade do Maga em ano de eleições de meio de mandato

Reuters28 de fev de 2026 às 18:46

- Algumas das vozes mais proeminentes do movimento Maga de Donald Trump se manifestaram neste sábado contra seu ataque ao Irã, alertando que ele pode prejudicar os republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, mas não houve sinais imediatos de rebelião declarada entre seus apoiadores.

Os críticos conservadores apontaram para os riscos potenciais para os republicanos, visto que o presidente fez campanha em 2024 com a promessa de focar na economia e não iniciar guerras. Pesquisas de opinião pública mostram que os eleitores estão cada vez mais desiludidos com a gestão da economia por Trump.

Jack Posobiec, comentarista e influenciador de direita, citou um alerta feito no ano passado pelo falecido ativista conservador Charlie Kirk, antes de seu assassinato em setembro.

"Charlie Kirk nos disse que a geração mais jovem de americanos está muito mais interessada em política interna do que em conflitos internacionais, e não podemos nos esquecer disso em um ano de eleições de meio de mandato", publicou Posobiec no X.

Trump recebeu um apoio crescente de jovens do sexo masculino em 2024, mas pesquisas de opinião recentes mostram que esse apoio está diminuindo.

RISCOS AO CONTROLE REPUBLICANO DO CONGRESSO

Como resultado, o ataque de Trump ao Irã é uma grande aposta eleitoral que aumenta os riscos para os republicanos em sua tentativa de se manterem no poder no Congresso em novembro.

Reagan Box, uma das doze candidatas republicanas para substituir a ex-representante Marjorie Taylor Greene na Geórgia, disse que, embora seja apoiadora de Trump e faça parte da base Maga, ela não apoia os ataques ao Irã.

Embora considere a liderança do Irã "hedionda", ela disse à Reuters: "toda vez que tentamos promover uma mudança de regime, especialmente no Oriente Médio, acabamos por desestabilizá-lo".

Greene, que antes era uma das mais leais apoiadoras de Trump, mas rompeu com ele no ano passado e deixou o Congresso devido ao que ela considerava sua falta de foco em questões internas, publicou no X: "A guerra com o Irã não reduz a inflação nem torna o custo de vida acessível".

Pesquisas de opinião pública mostram consistentemente que a principal preocupação dos americanos é o aumento do custo de vida. Grande parte dos primeiros 13 meses de Trump no cargo, no entanto, foi dominada por questões de política externa. Líderes republicanos no Congresso temem que eleitores descontentes possam puni-los em novembro.

Os Hodgetwins, uma dupla popular de podcast conservadora que geralmente apoia Trump, criticaram os ataques em uma publicação para seus 3,5 milhões de seguidores no X, considerando-os antitéticos à sua campanha de 2024.

"Libertar o povo do Irã não foi o motivo pelo qual votei em Trump", dizia a publicação.

LOOMER APOIA ATAQUE

Outros influenciadores do Maga apoiaram a campanha de bombardeio. Em um pronunciamento em vídeo para a nação, Trump disse que buscava uma mudança de regime e alertou que alguns americanos poderiam ser mortos no que ele descreveu como uma guerra.

Laura Loomer, uma aliada próxima de Trump, publicou no X: "O Irã ataca os EUA há mais de 47 anos. E agora, o 47º presidente dos Estados Unidos está pondo fim ao seu reinado de terror."

Os apoiadores de Trump, em sua maioria, apoiaram a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em janeiro como uma vitória militar rápida e indolor.

Michael Traugott, cientista político e professor emérito da Universidade de Michigan, disse que as críticas vieram principalmente da "classe falante" da base Maga e não de líderes republicanos eleitos. No entanto, era cedo demais para dizer como os apoiadores se sentiriam a longo prazo.

Ele disse que um conflito prolongado com o Irã poderia levar alguns dos principais apoiadores de Trump a retirarem seu apoio.

"Para a base popular do Maga, isso é praticamente uma violação direta de uma das principais promessas de campanha: manter-se fora de conflitos estrangeiros."

O Comitê Nacional Republicano divulgou uma declaração apoiando a operação contra o Irã, enquanto a reação no Congresso dos EUA se dividiu amplamente por linhas partidárias, com os republicanos considerando o ataque necessário.

Mike Davis, chefe do Projeto Artigo III, um grupo de defesa jurídica pró-Trump, afirmou no sábado que os ataques eram justificados, citando uma mensagem em vídeo recente na qual, segundo ele, o Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, alertou que o Irã poderia afundar navios de guerra americanos.

"Esse vídeo é toda a justificativa que o presidente precisa para arrasar a residência do líder supremo e eliminá-lo", disse Davis ao ex-estrategista de Trump, Steve Bannon, em seu podcast War Room, popular entre a base de apoiadores de Trump.

(Reportagem de Tim Reid e Nathan Layne)

((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751)) REUTERS RS

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