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Afirmação de Trump sobre mísseis iranianos não é corroborada pela inteligência dos EUA, dizem fontes

Reuters27 de fev de 2026 às 09:03

- A afirmação do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã em breve terá um míssil capaz de atingir os Estados Unidos não é corroborada por relatórios da inteligência norte-americana e parece ser exagerada, de acordo com três fontes familiarizadas com os documentos, o que lança dúvidas sobre parte de seu argumento a favor de um possível ataque à República Islâmica.

Em seu discurso sobre o estado da União ao Congresso na terça-feira, Trump começou a apresentar ao público norte-americano seus argumentos sobre por que os EUA poderiam lançar ataques contra o Irã, dizendo que Teerã estava “trabalhando em mísseis que em breve alcançarão” os Estados Unidos.

Mas não houve mudanças, segundo duas fontes, em uma avaliação não confidencial da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA de 2025 de que o Irã poderia levar até 2035 para desenvolver um “míssil balístico intercontinental militarmente viável” (ICBM na sigla em inglês) a partir de seus veículos de lançamento espacial (SLV na sigla em inglês) existentes para lançamento de satélites.

"O presidente Trump está absolutamente certo em destacar a grave preocupação representada pelo Irã, um país que grita 'morte' à América e possui mísseis balísticos intercontinentais", disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly.

Uma fonte disse que, mesmo que a China ou a Coreia do Norte — que cooperam estreitamente com o Irã — fornecessem assistência tecnológica, o Irã provavelmente levaria até oito anos, no mínimo, para produzir “algo que seja realmente do nível de um ICBM e operacional”.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato por se tratar de informações confidenciais, afirmaram não ter conhecimento de nenhuma avaliação dos serviços secretos americanos indicando que o Irã estivesse desenvolvendo um míssil capaz de atingir o território dos Estados Unidos, mas não descartaram a possibilidade de haver um novo relatório de inteligência do qual não tivessem conhecimento.

O New York Times foi o primeiro a noticiar que as agências de inteligência dos EUA acreditam que o Irã provavelmente ainda está a anos de ter mísseis que possam atingir os Estados Unidos.

RUBIO AFIRMA QUE IRÃ ESTÁ NO “CAMINHO” PARA OBTER ARMAS CAPAZES DE ALCANÇAR OS EUA

A afirmação de Trump sobre a capacidade de mísseis do Irã surgiu enquanto representantes dos EUA e do Irã negociam sobre o programa nuclear de Teerã, sem sinais de um avanço que possa evitar possíveis ataques dos EUA em meio a um grande aumento militar na região.

O presidente dos EUA pouco fez para explicar publicamente por que ele pode estar levando os EUA à sua ação mais agressiva contra a República Islâmica desde a revolução de 1979.

Em seu discurso na terça-feira, Trump apontou o apoio de Teerã a grupos militantes, a morte de manifestantes e os programas de mísseis e nucleares do país como ameaças à região e aos Estados Unidos.

Sem apresentar provas, Trump disse que Teerã estava começando a reconstruir o programa nuclear que, segundo ele, havia sido “destruído” pelos ataques aéreos dos EUA em junho passado a três importantes instalações envolvidas no enriquecimento de urânio.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, referiu-se na quarta-feira ao programa de mísseis balísticos do Irã em termos menos definitivos do que Trump, dizendo que Teerã está “a caminho de um dia ser capaz de desenvolver armas que poderiam atingir o território continental dos EUA”.

O Irã nega estar buscando um arsenal nuclear, afirmando que seu enriquecimento de urânio — um processo que produz combustível para usinas de energia e ogivas nucleares, dependendo de sua duração — é estritamente para uso civil.

Em entrevista à India Today TV divulgada na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, negou que o Irã estivesse expandindo sua capacidade de mísseis.

“Não estamos desenvolvendo mísseis de longo alcance. Limitamos intencionalmente o alcance a menos de 2.000km”, disse ele. “Não queremos que isso seja uma ameaça global. Só os temos para nos defender. Nossos mísseis criam dissuasão.”

(Reportagem de Jonathan Landay, Humeyra Pamuk e Gram Slattery)

((Tradução Redação Barcelona))

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