
Por Richard Cowan e Ryan Patrick Jones
WASHINGTON, 26 Fev (Reuters) - A ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton disse a um comitê do Congresso nesta quinta-feira que não se lembrava de ter conhecido o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein e que não tinha informações a compartilhar sobre suas atividades criminosas.
“Não me lembro de ter conhecido o sr. Epstein. Nunca voei em seu avião nem visitei sua ilha, suas casas ou seus escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso”, disse Hillary em uma declaração ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados.
A declaração de Hillary foi feita quando ela deveria prestar um depoimento a portas fechadas ao comitê em Chappaqua, Nova York.
Hillary, candidata democrata à Presidência em 2016, também acusou o painel liderado pelos republicanos de tentar desviar o foco das ligações de Trump com Epstein, que se suicidou na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. Ela disse que o governo Trump “desmantelou” um escritório do Departamento de Estado focado no tráfico sexual internacional.
Ela e seu marido, o ex-presidente democrata Bill Clinton, inicialmente se recusaram a depor perante o comitê, mas cederam quando os parlamentares decidiram processá-los por desacato ao Congresso.
Bill Clinton deve depor perante o comitê na sexta-feira.
Antes da audiência, o presidente do Comitê de Supervisão, o republicano James Comer, negou que a investigação fosse uma iniciativa partidária contra a rival presidencial de Trump em 2016, observando que vários democratas pressionaram para que o casal Clinton testemunhasse.
“Ninguém está acusando os Clintons de qualquer irregularidade neste momento”, disse Comer.
Ele disse que o comitê procuraria descobrir quaisquer interações que ela possa ter tido com Epstein, seu envolvimento com o trabalho beneficente dos Clintons e qualquer relação que ela possa ter tido com Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que está presa.
O deputado Robert Garcia, principal democrata do comitê, disse aos repórteres que Trump e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, também deveriam depor. Lutnick admitiu ter visitado a ilha particular de Epstein anos depois de dizer que havia rompido relações com ele.
Um porta-voz dos Clintons não respondeu a um pedido de comentário. Comer disse que as transcrições das entrevistas dos Clintons serão tornadas públicas.
Bill Clinton voou no avião de Epstein várias vezes no início dos anos 2000, depois de deixar o cargo. Ele negou qualquer irregularidade e expressou arrependimento por sua associação.
De acordo com Comer, Epstein visitou a Casa Branca 17 vezes enquanto Clinton estava no cargo.
Trump também conviveu bastante com Epstein nas décadas de 1990 e 2000, antes de sua condenação em 2008 por solicitar prostituição de uma menor. Comer disse que as evidências coletadas pelo painel não implicam Trump.
O Departamento de Justiça de Trump divulgou mais de 3 milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein nos últimos meses para cumprir uma lei aprovada pelo Congresso.
O Departamento de Justiça procurou chamar a atenção para fotos de Bill Clinton, mas os documentos também revelaram os laços de Epstein com uma longa lista de líderes empresariais e políticos, incluindo Lutnick e o presidente-executivo da Tesla, Elon Musk.
((Tradução Redação São Paulo))
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